
Brasil
sedia conferência sobre clima
e desenvolvimento em regiões semiáridas
O objetivo é discutir os efeitos
das mudanças climáticas e suas implicações
em regiões semiáridas
Fortaleza, no Ceará, receberá em agosto a Segunda Conferência
Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões
Semiáridas - ICID 2010. O encontro, que envolve mais de 90 países
da África, Ásia e América Latina, e cerca de dois
mil participantes, tem como meta incluir de forma efetiva as questões
relacionadas aos efeitos do aquecimento global em regiões áridas
e semiáridas nas agendas de debates nacionais e internacionais.
Organizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos
(CGEE) - em parceria com os ministérios do Meio Ambiente e da
Ciência e Tecnologia, o Governo do Ceará e outras entidades
governamentais e de pesquisa nacionais e internacionais -, a ICID 2010
vai gerar, consolidar e sintetizar dados e estudos sobre mudanças
climáticas e identificar ações para promoção
do desenvolvimento seguro e sustentável nas regiões semiáridas.
A expectativa é de que os atores envolvidos nessa agenda, incluindo
formuladores de políticas públicas, cientistas, representantes
de organismos internacionais, sociedade civil e iniciativa privada tenham
a oportunidade de compartilhar experiências e o conhecimento adquirido
em questões ligadas às regiões semiáridas
nos últimos 20 anos, como variabilidade, vulnerabilidades, impactos
socioeconômicos e ambientais, ações de adaptação
e desenvolvimento sustentável. Eles deverão elaborar recomendações
que auxiliem na criação e implantação de
políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável
dessas áreas.
Estimativas mostram que cerca de 35% da população mundial
vivem em terras áridas e semiáridas, que correspondem
a 41% da superfície do planeta. Segundo o Painel Intergovernamental
sobre Mudanças Climáticas (IPCC), essas terras serão
afetadas pelas alterações no clima mundial. Apesar desse
cenário, os habitantes dessas áreas ainda são sub-representados
em discussões como a COP-15.
No Brasil, 1.482 municípios do semiárido, que concentram
a maior parte da pobreza do País, são afetados diretamente
pelo problema, segundo dados do Programa Nacional de Combate à
Desertificação e Mitigação dos Efeitos da
Seca. Estudos indicam ainda que quase 20% do semiárido brasileiro
será atingido de forma grave, tendo reflexos ambientais e socioeconômicos,
como a deterioração do solo e comprometimento da produção
de alimentos, extinção de espécies nativas e degradação
dos recursos hídricos.
Organizada em quatro temáticas principais - Clima e Meio Ambiente;
Clima e Desenvolvimento Sustentável; Governança e Desenvolvimento
Sustentável e Processos Políticos e Instituições,
a ICID pretende transformar intenções em resultados práticos
de desenvolvimento, e acelerar, assim, o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio (ODMs), de redução da vulnerabilidade,
da pobreza e da desigualdade.
A Conferência, que ocorrerá 18 anos após a realização
da primeira ICID, realizada no início de 1992 como preparatória
para a Conferência das Nações Unidas para o Meio
Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) - a Rio 92, também vai explorar
sinergias entre as Convenções das Nações
Unidas relativas ao desenvolvimento de regiões semiáridas.
O encontro funcionará, portanto, como um agente integrador de
teorias, modelos e ações que possam atualizar o conhecimento
sobre o tema e subsidiar a realização da Conferência
das Nações Unidas vinte anos mais tarde, a Rio+20.
A primeira Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade
e Desenvolvimento em Regiões Áridas e Semiáridas
ocorreu em 1992, também em Fortaleza. Em sua primeira edição,
o encontro contou com cerca de 1,2 mil participantes de 45 países.
Criada como um evento preparatório para a Rio 92, a ICID forneceu
dados e informações científicas sobre as regiões
semiáridas no mundo e conseguiu abrir os olhos da inteligência
nordestina para os problemas dessas áreas no Brasil.
A primeira ICID teve um enorme impacto, tanto no âmbito nacional
quanto no internacional. "Os trabalhos exibidos durante a primeira
ICID foram levados para a Rio 92, assim como a declaração
de Fortaleza, com recomendações de políticas públicas
para as regiões áridas e semiáridas. Muitos participantes
do evento, oriundos da África e da Ásia, também
chegaram à Rio 92 como negociadores", destaca Antônio
Rocha Magalhães, coordenador executivo da Conferência.
A primeira edição da ICID também serviu como fator
decisivo para a criação da Convenção das
Nações Unidas de Combate à Desertificação
(UNCCD).
Vários estudos e publicações que servirão
como subsídios para o encontro de 2010 foram derivados dos debates
que entraram em pauta na primeira ICID. Entre a primeira e a segunda
edição da Conferência, três convenções
foram aprovadas e entraram em operação: a Convenção
das Nações Unidas de Combate à Desertificação
(UNCCD); a Convenção das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Protocolo de Kyoto; e
a Convenção das Nações Unidas sobre Biodiversidade
(UNCBD). Todas elas contribuem, em sinergia, para fortalecer o combate
à desertificação e preservar a biodiversidade presente
nas regiões áridas e semiáridas em todo o planeta.
A expectativa é de que a ICID 2010 tenha o mesmo impacto como
conferência preparatória em eventos dessa natureza, como
a Rio+20.
Fonte: Cadija Tissiani - MMA
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