Países
que integram o Basic discutem formas de conter aquecimento global
O Rio de Janeiro sedia a partir desta sexta-feira (23/07) a quarta reunião
do Basic (grupo formado por Brasil, África do Sul, Índia
e China) para discutir assuntos de interesse comum sobre as mudanças
climáticas. Por sugestão da Índia, o tema de debate
será a equidade e a divisão global do espaço de
carbono.
A rodada de discussões começa com os peritos e negociadores
nesta sexta e sábado (23 e 24), e é seguida por reunião
de ministros nos dias 25 e 26. O encontro acontece no Solar da Imperatriz,
no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Nos dias 27 e 28, os ministros
participantes visitam a Floresta Nacional do Tapajós, localizada
na cidade amazônica de Santarém (PA).
Durante a reunião serão discutidos os possíveis
critérios para estabelecer quanto cada país ainda poderá
emitir. O Brasil reconhece que 2º C é o máximo que
pode haver de aumento da temperatura média do planeta em relação
ao período pré-industrial. Isso significa que esse limite
não poderia ser ultrapassado. No entanto, a concentração
de gases na atmosfera tem favorecido o aquecimento.
"Para que o aumento da temperatura não ultrapasse os 2º
C, a atmosfera não pode receber mais do que certa quantidade
desses gases, como se fosse uma piscina que, ultrapassado o limite,
transborda. O volume da piscina cheia seria o que chamamos de 'espaço
de carbono'. Dependendo do aumento de temperatura admitido, essa piscina
é mais ou menos funda. Quando se fala que 2º C é
o máximo aceitável, se define um volume na atmosfera,
chamado espaço ou orçamento de carbono. Esse espaço,
sendo finito, tem de ser repartido", explica Branca Americano,
secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental,
do Ministério do Meio Ambiente.
Branca explica que, no momento, tanto na Convenção das
Nações Unidas sobre Mudança do Clima quanto no
Protocolo de Kyoto, os países desenvolvidos têm de reduzir
suas emissões, mas não existe nada em relação
aos países em desenvolvimento, o que significa que eles estão
liberados para emitir. "O argumento dos países desenvolvidos
é que mesmo que eles zerem suas emissões, essa piscina
vai transbordar, pois os países em desenvolvimento, como a China,
Índia e Brasil estão crescendo de forma significativa,
mas sem restrições às suas emissões. Por
isso, eles querem um compromisso mais restritivo para os países
em desenvolvimento", esclarece.
Já os países em desenvolvimento argumentam que o problema
foi criado pelos países desenvolvidos e, portanto, cabe a eles
promoverem essas reduções, tanto domesticamente quanto
apoiando ações nos países em desenvolvimento.
Equidade - A discussão sobre equidade vai abordar os vários
critérios de como e quanto cada país poderá emitir.
A Índia, por exemplo, tem uma proposta baseada nas emissões
per capita e gostaria que fosse adotada pelo Basic nas negociações
da Convenção do Clima. "Cada indiano, de fato, emite
muito pouco, pois se dividirmos a quantidade total de emissões
da Índia pela sua população, a emissão per
capita é baixa, pois eles são muitos e consomem pouco,
assim como na China, que também tem uma população
monumental", explica a secretária Branca.
As emissões per capita do Brasil não são altas,
pois a matriz energética brasileira tem alto percentual de energia
renovável e a redução do desmatamento também
contribui para reduzi-las. O País seria mais beneficiado, e o
mundo como um todo, com regras que levassem em conta mais do que um
critério.
Os japoneses preferem critérios que levem em consideração
a intensidade de emissões do PIB, já que são muito
eficientes. A África do Sul, por sua vez, propõe um modelo
que inclui outros critérios, como nível de desenvolvimento,
contribuições históricas, entre outros.
O Brasil elaborou a proposta da responsabilidade histórica que
parte do princípio do "poluidor pagador". Nela, os
países que emitiram durante anos e provocaram a situação
atual deveriam ser responsabilizados e sujeitos a reduzir suas emissões,
sem exigir que os países que começaram a se desenvolver
agora tenham de limitar suas emissões. "Provavelmente, a
solução será uma composição desses
e outros critérios. Existem várias propostas com combinações
desses critérios, excluindo os países que estejam abaixo
de um determinado patamar de pobreza", comenta Branca.
Pauta - Na reunião, os ministros ainda poderão conversar
sobre os vários temas das negociações, dentre os
quais as impressões em relação ao texto recentemente
produzido pela presidência do grupo de trabalho de longo prazo
no âmbito da Convenção do Clima (Long Term Cooperative
Action), que será discutido no próximo encontro, em Bonn,
na Alemanha, de 2 a 6 de agosto. A próxima reunião do
Basic será em outubro, na China.
Fonte: Melissa Silva - MMA
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