Vazamento
de óleo no Golfo do México
suscita discussão de prevenção no Brasil
MMA participa de debate com parlamentares
e representante da Petrobras sobre as condições e os avanços
brasileiros para conter um desastre ambiental como o do México
O acidente ambiental ocorrido no Golfo do México, em abril, se
tornou uma oportunidade de mobilização política
no Brasil para que um incidente similar não aconteça no
País. Em audiência pública realizada na última
terça-feira (25/5), na Câmara dos Deputados, em Brasília,
parlamentares da bancada ambientalista, representantes do Ministério
do Meio Ambiente (MMA) e também do setor produtivo do petróleo,
debateram sobre as condições e os avanços brasileiros
para conter este tipo de desastre ambiental.
De acordo com a diretora de Qualidade Ambiental da Indústria
do MMA, Sérgia de Oliveira, acidentes como este "sempre
trazem lições". Ela disse que novas técnicas
que abrangem o risco e a emergência de ações em
atividades de extração de petróleo estão
em debate. "Estamos aprimorando nosso arcabouço institucional
e legal para lidar melhor com este tipo de probelma", afirmou.
Sérgia informou ainda que, com o objetivo de fomentar a pesquisa
e a capacidade de mitigar os impactos de uma situação
semelhante em território brasileiro, técnicos do Ibama
foram enviados ao México para conhecer e identificar os procedimentos
adotados, bem como para ajudar a identificar detalhes, motivos e soluções
para o acidente.
O gerente de exploração e produção da Petrobras,
José Carlos Laurindo, afirmou que o equipamento utilizado pela
empresa na perfuração de postos é um dos mais modernos
do mundo. "Em caso de incidentes, há planos de emergência
para incêndio, vazamento de óleo e para resgate de pessoal,
entre outras ações emergenciais. No caso específico
do vazamento de óleo, cada unidade tem um plano de emergência
para a plataforma e para a área geográfica, que são
sempre apresentandos no processo de licenciamento ao Ibama".
Laurindo disse também que existem 27 embarcações
da Petrobras destinadas ao controle de eventuais acidentes envolvendo
o vazamento de óleo, além de um conjunto de barreiras
que têm a capacidade de conter o derramamento em um raio de 6,5
km. Informou ainda que o Brasil tem uma quantidade de dispersante químico
- utilizado em ações de mitigação - suficiente
caso aconteça algum acidente no País.
Segundo Jaime Setta Filho, gerente de prevenção da Petrobras,
o Plano de Emergência da Plataforma foi aprovado pelo Ibama, e
prevê equipes treinadas e a simulações de acidentes.
"Fazemos um alto investimento em prevenção e ações
de contingência. A empresa instalou dez centros e mais treze bases
avançadas de defesa ambiental em boa parte do País, e
todas as unidades tem recursos de prevenção em suas áreas
de produção e exploração", explicou.
De acordo com Sérgia, o Ibama prevê atividades de prevenção
no licenciamento de empreendimentos petrolíferos. Por ano, são
realizados mais de 40 simulados em prevenção de acidentes.
Setta Filho afirmou que a Petrobras possui sistemas informatizados para
mapeamento, visualização e acompanhamento de situações
emergenciais, e que a empresa tem um "nível de excelência
em relação à quantidade de óleo vazado por
producao."
Ele acrescentou que o desafio da exploração do pré-sal
está sendo cuidadosamente estudado e levantado por técnicos,
e que já estão sendo feitas simulações.
"Só teremos a licença se o Iaboratório e o
Ibama concordarem com os estudos".
Histórico
O problema de vazamento de petróleo não é uma questão
muita antiga. A primeira convenção sobre contaminação
por óleo data de 1954. Sérgia Oliveira explicou que o
Brasil já possui um arcabouço legal na área ambiental
para contenção de acidentes crônicos.
A resolução do Conama 269/2000, por exemplo, regula o
uso de dispersante químico, e existe ainda o Plano de Prevenção,
Respostas Rápidas e Emergências Ambientais com Produtos
Químicos Perigosos (P2R2). Criado em 2004, é um projeto
integrado entre governos, setor privado e representantes da indústria
e da sociedade civil.
Também está em fase de estudo e elaboração
o Plano Nacional de Contingência para Derramamento de Óleo,
que demanda a integração de várias instituições.
A proposta está sendo desenvolvida pela Marinha e pelo MMA, com
o objetivo de se chegar a um texto consensual que possa ser levado a
aprovação ainda este ano.
Fonte: Carine Corrêa - MMA