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Dano incalculável

Óleo não para de vazar no Golfo do México e deixa governo americano incapaz de medir o alcance e o impacto do acidente. Greenpeace cobra moratória de exploração em alto mar

Doze dias depois do início de um derramamento de óleo no Golfo do México que não dá sinais de arrefecimento, o governo americano sinalizou claramente que não faz a menor ideia sobre qual é a extensão do acidente. Não há posição oficial sobre o tamanho da mancha, a proporção do vazamento, nem os meios mais eficazes de estancá-lo. O comandante da Guarda Costeira Thad Allen em entrevista à rede de televisão CNN, reconheceu que a impossibilidade de mensurar o problema só o torna mais complexo.

Apesar das dúvidas, há pelo menos uma certeza. O acidente com a plataforma de petróleo da British Petroleum no Golfo do México é grande e suas consequências provevelmente serão devastadoras para a biodiversidade e para as economias de estados americanos em cujos litorais o óleo começa a chegar . O presidente Barack Obama, depois de visitar a região, qualificou o derramamento como “potencialmente sem precedentes”. O Greenpeace pediu o fim da exploração de petróleo em alto mar.

Passados mais dois dias de vazamento, as estimativas são de que a mancha teria mais que triplicado de quantidade - de 3 mil quilômetros quadrados no fim da sexta-feira, dia 30, a quase 10 mil quilômetros quadrados, de acordo com imagens de satélites europeus. Dependendo de ventos e maré, o óleo rumará em direção à costa do Alabama e da Flórida .

O acidente acontece um mês depois de Obama ter dado aval para a expansão de projetos de exploração em alto mar, com a justificativa de que as plataformas hoje estariam seguras e não causariam vazamentos. Os projetos estão agora suspensos, aguardando o fim das investigações sobre as causas do desastre.

“Á pergunta sobre se o que está sendo feito é suficiente, a resposta é que não há ‘suficiente’. Tudo está fora do controle. Não podemos remediar este acidente, apenas evitar que outros ocorram”, afirmou Mark Floegel, Diretor de Pesquisa do Greenpeace. “Precisamos que o presidente Obama tome posturas mais radicais para evitar que novos desastres aconteçam. O anúncio de que as operações ficarão suspensas é pouco. Queremos uma moratória completa de exploração de petróleo em alto mar nos Estados Unidos”, disse Mark.

Equipe de fotógrafos do Greenpeace está em Venice, na Louisiana documentando as conseqüências do vazamento. (Fonte: Greenpeace)

Desastres com petróleo provocam riscos em alto mar

Estima-se que 400 a 600 espécies estejam potencialmente em risco à medida que o petróleo da Deepwater Horizon se espalha e atinge a costa da Louisiana, nos Estados Unidos.
Gland, Suíça - Desastres recentes com vazamentos ou plataformas de petróleo em alto mar - inclusive a presente catástrofe envolvendo a empresa Deepwater Horizon no Golfo do México - reforçam a necessidade de uma mudança mundial para uma energia mais segura e mais limpa, declarou hoje (03.05.2010) a rede ambientalista WWF.

Um mundo que busca uma quantidade cada vez maior de petróleo e gás nas águas profundas e em locais cada vez mais difíceis e delicados precisa incluir, nessa equação, o fato de que se movimenta num território com maior probabilidade de acidentes e que, quando eles ocorrem, a resposta é mais difícil e as conseqüências maiores.

“A infraestrutura bem desenvolvida do Golfo do México, assim como o acesso aos métodos tecnologicamente mais avançados para responder ao vazamento, constitui o melhor conjunto possível de circunstâncias para enfrentar um desastre dessa ordem”, disse William Eichbaum, vice-presidente para o Ártico e Políticas Marinhas do WWF-Estados Unidos. “Apesar de todas essas vantagens, no entanto, a crise está cada vez pior,” concluiu.

Estima-se que 400 a 600 espécies estejam potencialmente em risco à medida que o petróleo da Deepwater Horizon se espalha e atinge a costa da Louisiana, nos Estados Unidos, num dos piores momentos para as aves migratórias. A área atingida é local de hibernação ou descanso para quase três quartos das aves aquáticas dos Estados Unidos. E este momento é o pico do período em que as aves migram e fazem seus ninhos, quando os primeiros filhotes se aventuram nas lagoas e pântanos situados na trajetória dessa mancha de óleo.

A área do vazamento de petróleo é uma das principais áreas de desova do Atum Azul do Atlântico Ocidental e essa espécie volta agora para sua restrita estação de desova. A ameaça recai também sobre uma das maiores indústrias de frutos do mar dos Estados Unidos, responsável por cerca da metade do camarão silvestre desembarcado e 40% das ostras - que também se encontram em fase reprodutiva.

"A devastação ecológica e econômica em curso no Golfo do México serve para lembrar que a exploração de petróleo em alto mar é, na realidade, profundamente perigosa e de que deveríamos pensar duas vezes antes de liberar esse desenvolvimento em águas ainda mais delicadas e traiçoeiras”, declarou o diretor geral da Rede WWF Internacional, James Leape.

Em meio aos indicativos recentes do fracasso da indústria petrolífera na abordagem de esperar o melhor, mas planejar para o pior, a Rede WWF detalhou como as avaliações de impacto ambiental e os planos de contingência para vazamentos de óleo e a exploração de petróleo no inóspito Mar de Chukchi consideram “insignificante” o risco de aumento da mancha e deixam de analisar os impactos potenciais ou a reação ao plano.

O óleo é altamente tóxico para o meio ambiente marinho e costeiro e seu impacto sobre a vida silvestre pode permanecer durante décadas. Ainda é possível encontrar óleo do pior vazamento em área marinha dos Estados Unidos - o desastre da Exxon Valdez em 1989 -- que ainda causa impacto. A empresa Deep Horizon, que segundo estimativas vaza cerca de 5 mil barris de óleo por dia, está determinada a superar a quantidade de óleo da Exxon Valdez no início desta semana.

No final de 2009, o WWF se envolveu na avaliação de riscos ambientais e danos do aumento da exploração da Montara no Mar do Timor.

Por meio de menos do que um décimo da escala do desastre no Golfo do México (estimado em 400 barris diários contra os atuais 5 mil) e em função de sua localização em mares muito mais rasos (cerca de 90 metros ou 300 pés em contraste com os cerca de 1.500 metros ou 5 mil pés), o vazamento exigiu quatro tentativas e 73 dias para fechar.

O óleo se espalhou por 90 mil quilômetros quadrados no mar e alcançou as águas da Indonésia e o Triângulo dos Corais, que é uma área prioritária mundial para a conservação do meio ambiente.

A exemplo do que aconteceu no Golfo, o vazamento de Montara atingiu baleias e golfinhos, áreas de desova do atum, tartarugas e aves marinhas.

“Infelizmente, nunca chegaremos a conhecer o real prejuízo provocado à vida silvestre”, disse o diretor de Conservação do WWF-Austrália, Gilly Llewellyn, que viajou de barco até o Mar Timor durante a ocorrência do vazamento para poder preencher o vácuo da informação oficial e por parte da empresa envolvida.

“Simplesmente não houve suficientes esforços de monitoramento para se ter uma idéia do impacto total. Nós achamos que o vazamento afetou milhares, ou mesmo dezenas de milhares de criaturas marinhas, como as aves marítimas, baleias e golfinhos que entraram em contato com esse óleo derramado,” continuou Llewellyn.

Cientista marinho familiarizado com o Golfo do México, Llewellyn disse que a riqueza biológica costeira do estado de Louisiana provém da complexa mistura de ilhas nos bancos de areia e pântanos lodosos. “Pode-se limpar a areia, mas não se pode limpar o lodo”, disse Llewellyn. “Se o óleo atingir o lodo, os efeitos podem ser muito duradouros”. (Fonte: WWF-Brasil)

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