MPF
recomenda tamponamento
de esgotos lançados
ao mar
O
Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas
expediu nesta quarta-feira (03 de fevereiro) recomendação à Secretária
Municipal de Proteção ao Meio Ambiente de Maceió (SEMPMA)
para que o órgão realize o tamponamento dos esgotos
lançados ao mar através de ligações
clandestinas na rede de captação de águas
pluviais. De autoria da procuradora da República Niedja
Kaspary, a recomendação é resultado de
um procedimento administrativo instaurado na Procuradoria da
República em Alagoas (PR/AL) que apurou o lançamento
de esgotos por prédios comerciais e residenciais na
orla marítima da cidade.
No
ano passado, o MPF requisitou informações à secretaria
quanto a persistência do lançamento de esgoto
por condomínios e particulares. Caso constatasse a situação,
o órgão deveria coibir imediatamente a irregularidade,
realizando o tamponamento dos esgotos ou o bombeamento do material
para a rede coletora. No entanto, segundo a recomendação,
os empreendimentos continuam jogando clandestinamente o esgoto
no mar.
Conforme
se apurou no procedimento administrativo instaurado, que
culminou com a presente recomendação, as
ligações irregulares de esgotos à rede
de galerias pluviais são as principais causadoras das
chamadas “línguas negras” nas praias. “Esgotos
a céu aberto, ligações clandestinas em
redes pluviais e lançamento de dejetos, sem qualquer
tipo de tratamento, diretamente em águas correntes,
riachos e no mar das praias de Maceió são fatos
do cotidiano de nossa população”, assevera
Niedja Kaspary.
A
informação reforçada por notícias
recentemente publicadas na imprensa local, segundo apurou o
MPF. Um problema que, de acordo com a procuradora da República, “afeta
não só o meio ambiente mas também – e
principalmente – a população da capital
alagoana”. Na recomendação, Kaspary lembra
ainda que a ação ou omissão que viole
regras jurídicas de proteção do meio ambiente é considerada
infração administrativa, segundo o previsto na
Lei dos Crimes Ambientais ( 9.605/98).
Fundamentação - Entre os fundamentos legais
para a recomendação, a procuradora também
considera que a SEMPMA deve seguir o Código Municipal
de Meio Ambiente de Maceió, que proíbe o lançamento
de esgoto, mesmo tratado, nas praias ou na rede de águas
pluviais. Também foram tomados por base a lei nº 3.538/85
(Código de Posturas do Município de Maceió),
que proíbe o lançamento de águas servidas
nos logradouros públicos e prevê, como destino
delas, a rede pública de esgoto e o Plano Nacional
de Gerenciamento Costeiro, que estabelece prioridade na conservação
de praias e restingas.
Um
dos órgãos envolvidos com o projeto Mar Aberto,
que visa coibir o lançamento indevido de esgotos nas
galerias pluviais, a SEMPMA terá o prazo de 10 dias
para se manifestar sobre o acatamento da recomendação.
Mesmo não sendo obrigatório o cumprimento da
recomendação, seu descumprimento pode acarretar
por parte do MPF/AL, o ajuizamento de ações judiciais
contra a pessoa jurídica ou física responsável,
com repercussões civis, administrativas e criminais.
Fonte:
Procuradoria da República em Alagoas