
Oficina
em Pão de Açúcar
discute
problemática da desertificação
Aconteceu na quinta e sexta-feira, no município de Pão
de Açúcar, a segunda oficina de consulta pública
para a construção do Plano Estadual de Combate à Desertificação
e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE/AL). O evento
foi promovido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e
dos Recursos Hídricos (Semarh), com o apoio do Ministério
do Meio Ambiente, e discutiu aspectos do Plano de Ação
Nacional de Combate à Desertificação.
Um dos objetivos
da oficina é criar uma interlocução
permanente entre os nove estados nordestinos, além de
Minas Gerais e Espírito Santo, que estão construindo
seus planos, a fim de garantir o uso sustentado da caatinga,
que hoje possui menos de 10% de sua área preservada
em Alagoas. A Semarh programou três encontros com as
cidades polos, reunindo representantes de municípios
circunvizinhos. O primeiro aconteceu em Palmeira dos Índios,
em dezembro passado, e outro está previsto para a cidade
de Piranhas. Um seminário também será realizado
no agreste alagoano, no município de Arapiraca, em fevereiro.
A desertificação é um processo de degradação
ambiental em regiões áridas, semiáridas
e subúmidas secas, provocado pelas variações
climáticas e pela má utilização
do solo, da água e da vegetação. Incide
sobre 30% das terras do nosso planeta, onde vivem 1 bilhão
de pessoas.
De acordo com estudos,
no Brasil cerca de 50 % do semiárido
encontra-se em situação “grave” e “muito
grave”, o que corresponde a uma área de aproximadamente
300 mil km². Quase 12 milhões de pessoas habitam
essas regiões. No Estado de Alagoas, a situação
não é muito diferente: 54 municípios estão
localizados no semiárido, no subúmido seco e
no entorno dessas localidades, estando suscetíveis ao
processo de desertificação.
Para o secretário de Estado do Meio Ambiente e dos
Recursos Hídricos (Semarh), Alex Gama, a desertificação
deve ser combatida com a perspectiva de mudanças em
direção ao desenvolvimento de bases sustentáveis,
criando mecanismos que permitam o manejo da caatinga e o incremento
das atividades produtivas, com aumento da renda e melhoria
das condições de vida da população
sertaneja, preservando a biodiversidade para as futuras gerações.
Segundo Marcelo
Ribeiro, assessor técnico da Semarh
e ponto focal governamental de combate à desertificação
em Alagoas, a tendência que vem preocupando muitos estudiosos é que
as áreas do semiárido se tornem áridas,
ou seja, desérticas, e que os locais onde predominam
o clima subúmido/seco, a exemplo de Penedo, Piaçabuçu
e Coruripe, venham a se tornar semiáridos. O evento é agravado
com os efeitos decorrentes das mudanças climáticas,
onde o semiárido pode sofrer severamente com a diminuição
das chuvas o que, consequentemente, afetará a oferta
de água à população e a produção
agrícola.
Fonte: Semarh