
Governo
realiza consulta pública para
macrozoneamento econômico e ecológico da Amazônia
Principal função do macrozoneamento é promover
a transição do padrão econômico
atual para um modelo de desenvolvimento sustentável,
capaz de contemplar as diferentes realidades e prioridades
de territórios da Amazônia
Um novo modelo de
exploração dos recursos naturais
e do uso do solo da região amazônica. Isso é o
que propõe o documento-base do Macrozoneamento Ecológico
e Econômico (ZEE) da Amazônia que será disponibilizado
para consulta pública na internet a partir desta quarta-feira
(27/01). O prazo final para as sugestões a serem feitas
pela sociedade civil vai até 06 de março.
O Macro ZEE da Amazônia é um instrumento fundamental
de planejamento e gestão ambiental e territorial estabelecido
na Política Nacional do Meio Ambiente. Sua principal
proposta é promover a transição do padrão
econômico atual para um modelo de desenvolvimento sustentável
na região, capaz de contemplar as diferentes realidades
e prioridades de territórios da Amazônia.
O texto aborda os
desafios desta transição e
indica estratégias de adequações de diferentes
setores da economia, como o energético e mineral, o
planejamento integrado de infra-estrutura e logística,
bem como o territorial rural e urbano, proteção
da biodiversidade e dos recursos hídricos, agricultura
e mudanças climáticas na Amazônia.
A proposta preliminar
do documento foi elaborada pela Comissão
Coordenadora do Zoneamento Ecológico e Econômico
do Território Nacional (CCZEE), apoiada pelo Consórcio
ZEE Brasil e composta por 14 ministérios: Meio Ambiente,
Agricultura, Desenvolvimento Social, Transportes, Justiça,
Minas e Energia, Cidades, Defesa, Ciências e Tecnologia,
Integração Nacional, Desenvolvimento Agrário,
Planejamento, Secretaria de Assuntos Estratégicos e
Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Contou
ainda com a participação de representantes dos
nove estados da Amazônia, reunidos em um grupo de trabalho
instituído com esta finalidade.
Ao reconhecer a
diversidade complexa das diferentes áreas
da região, a comissão interpretou a realidade
da Amazônia a partir de 10 unidades territoriais - grandes áreas
divididas por características semelhantes. Cada uma
foi nomeada com a principal estratégia elaborada para
a promoção de seu desenvolvimento, e o plano
prevê ainda a recuperação dos passivos
ambientais e reversão das trajetórias produtivas
que provocaram impactos socioambientais.
Por exemplo, a unidade "Coração Florestal"-
que corresponde a uma porção da floresta que é muito
preservada - tem uma série de estratégias desenvolvidas
para a defesa da área assim nomeada, o que prevê a
utilização adequada deste território por
meio da promoção de atividades produtivas, bem
como a contenção da expansão das fronteiras
da agropecuária e da extração de madeira
predatórias, suas principais ameaças.
O Macro ZEE indica
também um conjunto de dez estratégias
gerais válidas para toda a Amazônia: reorganização
e regularização fundiária; reconhecimento
das territorialidades dos povos de comunidades tradicionais
e indígenas e fortalecimento das cadeias de produtos
da sociobiodiversidade; fortalecimento e criação
de novas unidades de conservação; planejamento
integrado da infra estrutura e da logística (cada obra
a ser construída deve levar em consideração
toda a região e os fatores econômicos e sociais
das comunidades nela presentes) e contenção da
expansão da agropecuária sobre ambientes vulneráveis
- aqueles considerados importantes para a manutenção
de recursos hídricos e da biodiversidade.
Os outros cinco
pontos recomendados são o fortalecimento
das redes de cidades localizadas na borda do coração
florestal (onde serão criadas as condições
para formação de recursos humanos e desenvolvimento
da produção regional focada na bioprodução);
das políticas públicas para pesca e aquicultura
sustentáveis; organização de pólos
industriais; exploração da mineração
e energia de forma a sanar o passivo ambiental e valorizar
o preço do produto na própria região e
revolução científica e tecnológica
para promoção do uso sustentável dos recursos
naturais.
Desenvolvimento
Sustentável
A primeira mudança gerada pelo Macro ZEE aconteceu
na própria elaboração do documento, que
foi feito em parceria entre 14 ministérios, estados
amazônicos e sociedade civil. O processo permitiu a convergência
de políticas públicas para as unidades territoriais
em função das suas realidades e demandas. Isso
possibilitou a melhor coordenação das ações
dos governos federal e estaduais.
Um dos pontos centrais
do documento preliminar também
aponta o esgotamento do modelo baseado na expansão das
fronteiras agropecuárias, e sugere sua substituição
em prol da fronteira do capital natural, ou seja, atividades
oriundas das riquezas naturais, como extração
de produtos da biodiversidade, indústria madeireira
certificada, ecoturismo, piscicultura e aquicultura.
Em alguns lugares,
a agricultura não será suplantada,
mas não será expandida. A orientação
do ZEE é o uso mais produtivo e intensificado das áreas
já abertas, que deve ser complementado com um programa
de recuperação das diversas áreas degradadas.
Outro ponto importante
do ZEE é a orientação
da iniciativa privada em relação aos investimentos
e planejamentos de suas atividades. Por exemplo, um setor que
pretende ampliar suas atividades na área florestal deve
seguir uma diretriz do ZEE que indica a melhor região
de extração a ser incentivada e desenvolvida.
O mesmo padrão serve aos demais segmentos econômicos.
A equipe de elaboração pretende aprovar o documento
final durante a primeira quinzena de março,quando a
proposta definitiva será encaminhada pelo ministro do
Meio Ambiente, Carlos Minc, à sanção do
presidente Lula.
De acordo com o
diretor de Zoneamento Territorial do MMA, Roberto Vizentin,
a elaboração da proposta do
macrozoneamento no âmbito da CCZEE, com a participação
dos estados, representou um "extraordinário esforço" para
colocar a sustentabilidade no centro das discussões
e do planejamento das políticas setoriais e territoriais
para a Amazônia.
Vizentin ressaltou
que a participação efetiva
das unidades federativas permitiu o alinhamento entre as estratégias
propostas pelo macrozoneamento e as perspectivas e prioridades
presentes nos ZEEs estaduais.
Consulta Pública
Para acessar o documento
preliminar do Macro ZEE da Amazônia,
acesse a página www.mma.gov.br/zee. Os interessados
em contribuir com críticas e propostas devem preencher
o formulário que consta no site, que pode ser enviado
pela internet, correio ou ser entregue diretamente no MMA.
Informações complementares também podem
ser obtidas no mesmo endereço eletrônico.
Calendário
Início da consulta pública
- 27 de janeiro
Conclusão da consulta pública - 6 de março
Reunião da CCZEE para aprovação do documento
final - 11 de março
Fonte: Carine
Corrêa - MMA