
Moderno canhão
para arpões explosivos de caça às baleias
ONG’s
brasileiras pedem ação do Itamaraty contra caça
às baleias
Apesar da condenação
internacional, o Japão continua com a matança
de baleias na Antárdida, sob o pretexto de "captura
científica".
Por iniciativa de
José Truda Palazzo, Jr , do Centro de Conservação
Cetácea – Brasil, 31 organizações
da sociedade civil (relacionadas abaixo), na qual o Instituto
Ecológico Aqualung se inclui, divulgaram quarta-feira
(13/01) uma Carta Aberta ao representante do Brasil junto à
Comissão Internacional da Baleia (CIB), o diplomata Fábio
Vaz Pitaluga, exigindo um posicionamento forte contra a continuidade
da matança de baleias na Antártida, que apesar
da moratória estabelecida pela Comissão em 1986
e da declaração de um Santuário Antártico
de Baleias em 1994, está em franca escalada sob o pretexto
de “captura científica”.
Apesar da frequente
condenação da maioria dos países da CIB,
o Japão se recusa a parar com a matança. O Brasil
integra um pequeno grupo de negociação que tem
se reunido há varios meses a portas fechadas e que em
tese busca uma saída para acabar com a matança,
mas informações obtidas pelos ambientalistas dão
conta de que, frente à intransigência do Japão,
a Comissão poderia aceitar a continuidade da caça
antártica.
Segundo José Truda Palazzo Jr, ex-Vice-comissário
do Brasil junto à CIB e atual Presidente do Conselho
Superior da Rede Marinho-Costeira e Hídrica do Brasil,
“isso é um absurdo total”. Truda, que é
o brasileiro com mais longa participação nas atividades
da Comissão, afirmou que “aceitar os termos do
Japão e legitimar a continuidade da caça na Antártida
vai contra tudo o que o Brasil sempre defendeu na conservação
dos cetáceos, em particular o direito dos países
do hemisfério sul ao uso não-letal desse animais
através do turismo de observação, que pode
ser seriamente afetado pelo roubo de nossas baleias pela indústria
baleeira japonesa. Precisamos por um fim a esse crime, e esperamos
que nossos diplomatas mantenham a posição firme
que fez do Brasil uma liderança positiva na CIB”.
Truda também acrescentou que a atividade baleeira do
Japão não atende nem a verdadeiros interesses
científicos, e nem a nenhuma necessidade alimentar da
população daquele país, mas sim ao interesse
político da JFA, a agência de pesca japonesa, em
manobrar subsídios da ordem de milhões de dólares
que mantém as atividades baleeiras mesmo na ausência
de um mercado interessado na carne.
O “grupo secreto” de negociação da
CIB no qual o Brasil participa deverá se reunir novamente
no final de janeiro no Havaí para mais uma rodada de
negociação com o Japão. Segue abaixo o
texto da Carta Aberta das ONG’s ao Comissário do
Brasil na CIB.
Ministro Fábio
Vaz Pitaluga
MD. Comissário do Brasil à Comissão Internacional
da Baleia
13 de janeiro de 2010
Senhor Comissário,
Cumprimentando-o, as 31 instituições signatárias
da presente Carta Aberta desejam expressar sua preocupação
com a situação corrente da caça à
baleia no hemisfério sul e oferecer considerações
referentes ao posicionamento do Brasil enquanto membro ativo
das negociações a portas fechadas com o Japão
e outros países ora em curso, e que deverão ter
continuidade ainda este mês.
A continuação, de parte do Japão, do abuso
flagrante do Artigo VIII da Convenção Baleeira
de 1946 (que cria a brecha da famigerada caça “científica”)
e a continuada violação do Santuário de
Baleias do Oceano Austral estão levando não apenas
aos atos de violência desmedida como os recentemente registrados
na Antártida, com grave ameaça à vida humana
E ao ambiente antártico, mas também ao crescente
descrédito tanto da CIB como do próprio processo
negocial. Cada vez mais se evidencia não apenas o desinteresse
do Japão por uma solução diplomática,
mas ainda sua atuação firme no sentido de consolidar
a inaceitável apropriação dos recursos
representados pelos cetáceos do hemisfério sul
de maneira unilateral e arbitrária.
O Brasil, que ao longo das últimas duas décadas,
construiu uma política de liderança internacional
na conservação dos cetáceos, tanto na CIB
como em outros foros, teve também participação
proativa e de boa fé em todo o curso do processo de negociação
visando encontrar um futuro comum para a CIB, no qual, como
condição sine qua non para a acomodação
de posições, a truculência dos atos unilaterais,
em especial no que tange à caça dita “científica”
e à violação de Santuários, fosse
abandonada. Para tanto, foram oferecidas ao Japão e demais
interessados condições extraordinárias
de tolerância para com esses atos deploráveis.
A tolerância, o diálogo e a distensão, que
levaram inter alia a um enfraquecimento da posição
brasileira e regional, ao não se condenar aberta e firmemente
a caça antártica nesta temporada, não estão
produzindo quaisquer resultados que se possam considerar aceitáveis.
É absolutamente inconcebível que o investimento
diplomático feito pelo Brasil e demais países
pró-conservação resulte em um acordo que
legitime, sob qualquer pretexto, a continuidade da matança
de baleias no hemisfério sul.
Uma suposta “redução global” do número
de baleias caçadas no presente, sem a garantia do fim
da matança antártica e de salvaguardas legais
e obrigatórias que restrinjam efetivamente a caça
em águas de outras regiões, consiste tão
somente em arreglo político que não interessa
nem às baleias, nem aos países como o Brasil,
onde as garantias para o uso não-letal dos cetáceos
no futuro são a chave da gestão adequada do “recurso
cetáceos”.
Permitir a continuidade da matança pelágica agora
é abrir as portas para ameaças diretas a nossos
interesses regionais no futuro, e a oferta de um “santuário
temporário” no Atlântico Sul como atualmente
em negociação, ao mesmo tempo em que o Japão
segue violando o Santuário Antártico, não
serve como compensação aceitável.
Solicitamos, portanto, a Vossa Senhoria, consoante a política
brasileira consolidada a favor da conservação
dos cetáceos na CIB, NÃO APOIAR, já seja
nas negociações secretas nas próximas semanas,
na reunião do “Small Working Group” em março
próximo ou na próxima Reunião Anual da
CIB, quaisquer propostas e/ou iniciativas que não contemplem
a CESSAÇÃO DAS ATIVIDADES DE CAÇA À
BALEIA NO HEMISFÉRIO SUL. Da mesma forma, solicitamos
que o Brasil se posicione contrário à continuação
de um processo secreto de negociação, que viola
de forma flagrante os princípios de transparência
e “accountability” esperados tanto de um organismo
multilateral como dos funcionários de governo que ao
mesmo assistem.
O Brasil não pode correr o risco de transformar-se, por
ação ou omissão, em cúmplice da
legitimação da continuidade da matança
de baleias em águas internacionais. Confiamos em que
a delegação brasileira levará em consideração
os comentários supra e atuará de forma a honrar
nosso histórico, duramente construído, de liderança
conservacionista nesta Comissão que clama por modernidade
e não por retrocesso.
Atenciosamente,
AGÊNCIA COSTEIRA
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROTEÇÃO
AMBIENTAL
ASSOCIAÇÃO CAATINGA
CENTRO DE CONSERVAÇÃO CETÁCEA – BRASIL
CENTRO DE ESTUDOS DO MAR ONDA AZUL
CENTRO GOLFINHO ROTADOR
CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL
ECOSUL
FUNDAÇÃO BRASIL CIDADÃO
GLOBAL GARBAGE – PROJETO LIXO MARINHO
GREENPEACE
GRUPO AMBIENTALISTA DA BAHIA
INSTITUTO AMIGOS DA RESERVA DA BIOSFERA DA MATA ATLÂNTICA
INSTITUTO ECOLÓGICO AQUALUNG
INSTITUTO BAÍA DE GUANABARA
INSTITUTO BALEIA JUBARTE
INSTITUTO JUSTIÇA AMBIENTAL
INSTITUTO MAMÍFEROS AQUÁTICOS
INSTITUTO MARAMAR
INSTITUTO PEABIRU
INSTITUTO SEA SHEPHERD BRASIL – GUARDIÕES DO MAR
MATER NATURA – INSTITUTO DE ESTUDOS AMBIENTAIS
REDE DE ONGS DA MATA ATLÂNTICA
MOVIMENTO AMBIENTAL OS VERDES DE TAPES
ORGANIZAÇÃO SÓCIO-AMBIENTAL PRÓ-MAR
PROJETO MIRA-SERRA
REDE BRASILEIRA DE INFORMAÇÃO AMBIENTAL –
REBIA
REDE COSTEIRO-MARINHA E HÍDRICA DO BRASIL
SOCIEDADE MUNDIAL DE PROTEÇÃO ANIMAL – WSPA
SOCIEDADE DE PESQUISA EM VIDA SELVAGEM E EDUCAÇÃO
AMBIENTAL – SPVS
SÓCIOS DA NATUREZA
Fonte:
Instituto
Ecológico Aqualung / EcoAgência