
Cientistas
buscam plantas mais resistentes ao clima
Pesquisadores britânicos
descobrem uma maneira de manipular as reações
das plantas às mudanças de temperatura, no que
pode ser um passo em direção a culturas que suportem
melhor o aquecimento global e que sejam mais produtivas
As plantas são
expostas a imensas variações de temperaturas durante
as estações do ano e até durante o mesmo
dia. Para lidar com essas mudanças, elas possuem uma
espécie de termômetro interno que controla quando
devem ou não crescer. No estudo publicado nesta sexta-feira
(8) no periódico Cell, os cientistas do John Innes Centre,
do Reino Unido, afirmam que identificaram a proteína
responsável por esse controle e que ela poderá
ser manipulada para facilitar a adaptação de determinadas
culturas às mudanças climáticas.
Testes de laboratório
com sementes de mostarda mostraram que através do controle
de um tipo especializado da proteína histona, batizada
de H2A.Z, seria possível induzir a planta a alterar seu
comportamento. Quando essa proteína é retirada,
todos os genes da planta reagem como se estivessem sob grande
calor, mesmo quando o laboratório está climatizado
para baixas temperaturas.
Essa descoberta está
sendo comemorada como mais um passo em direção
a culturas mais resistentes e que suportem condições
climáticas adversas.
Estas plantas alteradas
seriam capazes de suportar as mudanças climáticas
que são esperadas para o futuro e seriam fundamentais
no combate à fome.
“As mudanças
climáticas terão um grande efeito sobre a produtividade
da agricultura e isto foi o que nos impulsionou nesta pesquisa.
Agora nós entendemos como as culturas reagem às
temperaturas e poderemos em breve fazê-las crescer em
ambientes mais quentes”, afirmou Philip Wigge (veja entrevista
disponibilizada em video acima), que liderou o estudo.
Metodologia
As plantas reagem
as mais sutis diferenças de temperaturas e o aquecimento
global já está fazendo com que certas espécies
se comportem de maneira diferente ao que era natural, como florescendo
antecipadamente. Enquanto os efeitos da temperatura nas plantas
já são conhecidos há centenas de anos,
sempre foi um mistério como as plantas conseguiam ‘sentir’
a temperatura.
Para resolver este
problema, os pesquisadores britânicos observaram todos
os genes de uma planta modelo para procurar quais reagiam ao
calor. Eles conectaram esses genes a um tipo especial de gene
luminescente que provocava a emissão de luz quando a
temperatura subia. Dessa forma, eles puderam procurar por plantas
mutantes que não reagissem de maneira apropriada às
mudanças de temperatura. No fim, eles encontraram uma
planta que se comportava como se fosse calor todo o tempo.
Esta planta tinha
um único defeito que a fazia ser tão peculiar,
a maneira como uma versão especializada da proteína
histona, a H2A.Z trabalhava, ou no caso, não trabalhava.
A conclusão que chegaram foi que ao retirar essa proteína
que envolve as moléculas de DNA os genes da planta se
comportam como se fosse calor. Agora, os cientistas têm
esperança de achar maneiras mais sutis de controlar essa
proteína e dessa forma aumentar a adaptabilidade e a
produtividade de certas culturas.
“Até
2030 o mundo precisará aumentar sua produção
de alimentos em 50% para sustentar o aumento da população
e da qualidade de vida. Nós agora poderemos começar
a pensar em alterar o modo como o arroz e o trigo, por exemplo,
reagem às mudanças de temperaturas, e assim fazer
com que elas sejam mais resistentes ao aquecimento global”,
concluiu Wigge.
Fonte: Fabiano Ávila - Carbono
Brasil.
(Portal
do Meio Ambiente)