
Definidas
regras para turismo nos corais de Maragogi, em Alagoas
A partir deste verão, o número de turistas nas
duas maiores piscinas naturais de recifes de corais dos municípios
de Maragogi e de Paripueira, em Alagoas, será limitado.
A Instrução Normativa (IN) nº 8 do Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio) entrou em vigor no dia 30 de dezembro e desde então
restringiu o número de visitantes e de embarcações
a visitá-las, estabeleceu regras que organizam o turismo
e demais formas de exploração comercial dos recifes
de corais e proibiu, dentre outras atividades, a pesca dentro
dos 500 metros que demarcam as duas piscinas.
Conhecidas como Galés de Maragogi, a maior piscina natural
do município é apenas uma das várias situadas
na segunda maior barreira do mundo em extensão e em preservação
de recifes de corais. Perde apenas para o cinturão de
corais da Austrália. Trata-se de um ecossistema marinho
complexo, formado por recifes de corais localizados em águas
limpas e rasas para que os vegetais recebam a luz do sol e produzam
alimentos.
De forma descontínua, a barreira de corais do Brasil
ocupa cerca de 3 mil quilômetros da costa do País,
entre os Estados do Maranhão e o sul da Bahia. É
a única barreira de corais do Atlântico Sul. As
piscinas naturais de Maragogi e as de Paripueira fazem parte
desse cenário. Elas estão situadas nos 135 quilômetros
da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa
dos Corais, unidade de conservação de uso sustentável
que abrange dois estados da Federação e 13 municípios,
estendendo-se de Tamandaré, Pernambuco, até Paripueira,
Alagoas.
As águas são cristalinas, a areia branquinha,
formada do cascalho dos corais, permite visualizar, no fundo,
centenas de peixinhos coloridos. Nos corredores de corais é
possível observar a imensa e impressionante quantidade
e diversidade do aquário natural. As Galés de
Maragogi é uma dessas piscinas.
Ela é a maior e com as águas mais transparentes
entre todas as piscinas do ecossistema em Alagoas. É
possível visualizar com nitidez crustáceos e corais,
dezenas de espécies de peixes e animais marinhos, como
moreias, polvos, camarões, estrelas-do-mar, ouriços-do-mar,
siris, caracois, lesmas do mar, milhares de peixes coloridos
e exóticos.
Esse espetáculo da natureza era visitado por cerca de
20 mil pessoas por ano. Os proprietários das embarcações
nunca respeitaram o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado,
em 2007, entre a APA e a Associação de Catamarãs
(embarcação de recreio ou de transporte) de Maragogi.
Ameaçado pelo número imenso e pela intensa visitação
dos turistas, o local era comparado ao famoso Piscinão
de Ramos, no Rio de Janeiro.
No verão, época de alta temporada, as Galés
de Maragogi chegaram a receber em apenas um dia 1.500 pessoas.
“Era impossível ver os peixes, os corais, a natureza.
Víamos apenas pessoas com roupa de banho”, conta
o chefe-substituto da APA Costa dos Corais, Cláudio Rodrigues
Fabi.
“Graças a Deus essa IN saiu! Cumprimos a nossa
parte! Ela chegou nos 45 minutos do segundo tempo”, diz,
aliviado, o chefe-substituto da APA ao receber a notícia
da publicação da IN no DOU. A equipe de gestores
da unidade de conservação, os pescadores, os proprietários
das embarcações, a Prefeitura e o Ministério
Público Federal de Maragogi esperavam ansiosos que o
Instituto Chico Mendes cumprisse com sua parte de um acordo
firmado em meados de 2009 e publicasse a IN antes de janeiro
de 2010.
Era preciso uma atitude dessas para preservação
do ecossistema antes que o MPF proibisse definitivamente a visitação
no local e desmontasse a principal atividade econômica
do município de Maragogi. Fabi conta que a quantidade
de pessoas a visitar a área é tão grande
que a procuradora do MPF em Alagoas chegou a pedir o fechamento
das piscinas para proteção da natureza.
Por causa do MPF, os setores interessados reuniram-se em julho
e, em conjunto, criaram o texto da IN publicada no DOU nessa
semana. Nessa reunião, o ICMBio comprometeu-se a publicá-la
antes da alta temporada. Cumpriu sua tarefa. Agora as Galés
de Maragogi só poderão receber no máximo
720 pessoas por dia distribuídas entre as que vão
em catamarãs, lanchas, embarcações para
mergulho e embarcações institucionais, até
que um estudo de capacidade de carga náutica para as
piscinas naturais seja finalizado.
Dentre os 20 artigos da IN, destacam-se a proibição
da pesca nos limites de 500 metros da piscina natural, a comercialização
e o consumo de alimentos e de bebida alcoólica na área
e nas embarcações, bem como a oferta de alimento
aos peixes. Regulamentou-se o mergulho e a atividade fotográfica,
de modo que, de agora em diante, para fazer fotos, é
preciso que o fotógrafo apresente certificação
de curso de fotografia subaquática, conduta consciente
e conhecimento de primeiros socorros.
Preventivamente, a IN protege também as piscinas naturais
do município de Paripueira. Situadas a apenas 40 quilômetros
de Maceió, elas fazem parte do ecossistema da Costa dos
Corais. “Ficamos com receio de que, com as proibições
para as Galés de Maragogi, houvesse uma evasão
de turistas para as piscinas de Paripueira. Atualmente essa
área não é muito procurada porque as suas
águas não são tão transparentes
como as de Maragogi”, disse.
Fonte: Carla Lisboa - ICMBio