ICMBio
entra em 2010 com 334 propostas
de criação de unidades de conservação
Trabalho não vai faltar.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
(ICMBio) entra em 2010 com 334 propostas de criação
de unidades de conservação (UC). Embora a maioria
esteja na fase inicial, 58 seguem de vento em popa. Dessas,
19 passam por consultas públicas, com 13 concluídas.
Esses processos já foram, inclusive, remetidos ao Ministério
do Meio Ambiente (MMA) para a negociação com os
governos federal e estaduais antes da edição do
decreto presidencial de criação das unidades.
Juntas, essas 13 unidades vão
adicionar 1,5 milhão de hectares aos mais de 80 milhões
de hectares protegidos atualmente. Assim, se tudo correr bem,
em 2010 o Brasil pode superar a marca dos 82 milhões
de hectares de UC federais, o que representará praticamente
10% do território nacional. Os dados são da Coordenação
de Criação de Unidades de Conservação
do ICMBio.
RESEX - Em 2009, o ICMBio criou
quatro unidades de conservação - as reservas extrativistas
(Resex) de Cassurubá, na Bahia, Prainha do Canto Verde,
no Ceará, e Renascer, no Pará, e o Monumento Natural
Rio São Francisco, entre a Bahia e Sergipe - e ampliou
a Resex Marinha da Baía do Iguape, na Bahia. No total,
essas unidades acrescentaram mais 382.183 hectares ao conjunto
de áreas protegidas pelo governo federal.
A sociedade também fez
a sua parte. O esforço de preservação realizado
pelos proprietários rurais redundou na criação
de 27 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN)
em nove estados da federação, o que resultou em
mais 11 mil hectares. As RPPN têm titularidade privada,
mas passam pelo crivo do Instituto Chico Mendes, que autoriza
a criação e monitora o uso para evitar desvios
na cumprimento dos objetivos das unidades.
BIOMAS - O analista ambiental
Marcelo Cavallini, que chefia a Coordenação de
Criação de Unidades de Conservação
do ICMBio, disse que, no pacote das 334 propostas de instalação
de UCs, estão contempladas áreas de todos os biomas,
com prioridade para os pampas, o pantanal e, principalmente,
a zona costeira e marinha, que têm hoje baixa representatividade
no mapa das áreas protegidas. Entre as UC marinhas, o
Refúgio de Vida Silvestre (RVS) Peixe-boi marinho, no
litoral entre Ceará e Piauí, está em estágio
mais avançado.
Ainda segundo o coordenador
de Criação de Unidades de Conservação
do ICMBio, a meta é se aproximar dos compromissos assumidos
pelo Brasil na Convenção da Diversidade Biológica
(CDB), que prevêem a proteção de, no mínimo,
10% de cada bioma e 30% da Amazônia.
Para isso, Cavallini e sua equipe
buscam superar as dificuldades internas, resultado do processo
de estruturação do ICMBio, que tem pouco mais
de dois anos de criação, e externas, geradas pelos
conflitos com grandes projetos de infraestrutura, bancados por
governos ou empresários. “Agora em 2010, que é
um ano eleitoral, haverá muita indefinição
política e, por consequência, mais dificuldades
para realizar o nosso trabalho. Mesmo assim, vamos continuar
trabalhando para procurar resolver os conflitos e atingir as
nossas metas”, afirmou ele.
COMO É – O processo
de criação de unidades de conservação
prevê várias etapas. Após o recebimento
e análise prévia da proposta, são realizados
estudos e levantamentos de dados biológicos, socioeconômicos,
fundiários e de ocupação do solo na região
a ser preservada.
Em seguida, inicia-se a fase
de reuniões setoriais que precedem as consultas públicas
às comunidades residentes ou atuantes no entorno, objetivando
o esclarecimento, a eventual complementação de
informações e o aprimoramento dos limites propostos.
Por último, o processo é concluído com
a elaboração da minuta de decreto presidencial
e encaminhamento ao MMA.
Nas duas primeiras fases, o
Instituto Chico Mendes têm papel decisivo. Já na
última etapa, entram em cena o Departamento Jurídico
do MMA e a Casa Civil da Presidência da República.
Todo esse processo, que em alguns casos dura anos, pode ser
deflagrado tanto por iniciativa das comunidades, que solicitam
a instalação da unidade de conservação,
como pelo próprio Instituto Chico Mendes, que, no âmbito
federal, é o órgão ambiental responsável
pela criação, implementação e gestão
das unidades.
Fonte:
Elmano Augusto - ICMBio