Marcello
Casal Jr/ABr.....................................

Certificação
de orgânicos só será obrigatória
em 2011
A certificação obrigatória dos produtos
orgânicos, que seria exigida a partir da segunda-feira
(28), foi prorrogada para o dia 31 de dezembro de 2010, para
permitir aos produtores mais tempo de adaptação.
A certificação tem por objetivo regulamentar o
mercado, inclusive com mecanismos de controle a cargo do Estado.
Na produção orgânica, não podem ser
usados agrotóxicos, adubos químicos e sementes
transgênicas, e os animais devem ser criados sem o uso
de hormônios de crescimento e drogas como antibióticos.
Para os envolvidos no processo, é preciso também
derrubar mitos, dos quais o principal é a crença
generalizada de que os produtos orgânicos são muito
mais caros do que os convencionais.
Apesar da crescente demanda, a agricultura orgânica ainda
ocupa pouco espaço nas 5,2 milhões de propriedades
rurais do país.
Dados do Censo Agropecuário 2006, divulgado em setembro
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), indicam que apenas 1,8% do total de produtores usam
tal técnica.
Os ramos mais frequentes são a pecuária e criação
de outros animais (41,7%) e a produção de lavouras
temporárias (33,5%). A maior parte dos produtos, no entanto,
é voltada à exportação (60%), especialmente
para o Japão, os Estados Unidos e a União Europeia.
A preocupação com a saúde e o meio ambiente
é um dos fatores que explicam o aumento da procura por
alimentos orgânicos, em todo o mundo. Na produção
orgânica, não podem ser usados agrotóxicos,
adubos químicos e sementes transgênicas, e os animais
devem ser criados sem uso de hormônios de crescimento
e outras drogas, como antibióticos.
Além de produzir alimentos considerados mais saudáveis,
na agricultura orgânica, o solo se mantém fértil
e sem risco de contaminação. Os agricultores também
ficam menos expostos, já que a aplicação
de agrotóxicos, sem os devidos cuidados, é nociva
à saúde.
Para controlar esse modo de produção, ainda com
carência de dados sobre a quantidade de produtores e a
área ocupada e de políticas públicas para
seu desenvolvimento, o governo criou o Sistema Brasileiro de
Avaliação da Conformidade Orgânica (Sisorg),
cujo selo será permitido a partir do momento em que o
produtor estiver de acordo com as novas regras. O selo deverá
estar em todos os produtos orgânicos brasileiros. A exceção
é para os produtos vendidos diretamente por agricultores
familiares.
Produtores, investidores e consumidores
ganham com regulamentação
A regulamentação dos produtos orgânicos,
à qual toda a cadeia produtiva deve se adequar até
31 de dezembro de 2010, deve trazer mais segurança a
todos os envolvidos nesse processo. As certificadoras, que atestam
se o alimento é orgânico, deverão ser creditadas
pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), o que, segundo
o presidente da Câmara Temática de Agricultura
Orgânica do Ministério da Agricultura, José
Pedro Santiago, deve elevar a qualidade no setor.
“Com a regulamentação, no mercado interno
haverá possibilidades legais de coibir e punir a venda
de produtos que se dizem orgânicos, mas não são.
Isso é uma garantia para os consumidores e para a credibilidade
do movimento orgânico”, afirmou Santiago.
Com normas oficiais para a produção de alimentos
orgânicos, disse Santiago, investidores, importadores
e também o consumidor brasileiro terão um quadro
mais claro do setor, o que deverá promover o crescimento
da produção e das vendas. “Nos Estados Unidos
e na Europa, a produção e o consumo de orgânicos
deram um salto após a aprovação das suas
respectivas leis. Isso deverá acontecer também
no Brasil.”
Além disso, Santiago ressalta a importância do
banco de dados com as informações do setor que
será criado no Ministério da Agricultura. “Preencheremos
uma terrível lacuna. Hoje, não sabemos ao certo
o que o Brasil realmente produz de orgânicos. Claro que
isso terá impacto no mercado interno e vai ajudar muito
nas exportações”, observou.
De acordo com o coordenador de Agroecologia do Ministério
da Agricultura, Rogério Dias, a partir do próximo
ano, haverá novos dados oficiais sobre o setor, a partir
do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, que devem
facilitar a aplicação de políticas públicas
específicas.
“Com esse cadastro, vamos saber quem são os produtores,
quantos são, onde estão e o que produzem. Vamos
saber qual é a área de soja, milho, frutas, carnes,
ovos e leite, porque no cadastro teremos também a atividade
produtiva de cada um”, explicou.
Segundo o Censo Agropecuário 2006, divulgado em setembro
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a produção orgânica no Brasil concentra-se
na pecuária e criação de outros animais
(41,7%) e na produção de lavouras temporárias
(33,5%).
A maior parte da produção (60%) é voltada
para a exportação, principalmente para o Japão,
os Estados Unidos e a União Europeia. A maioria do que
segue para o mercado externo é de produtos in natura,
processados da soja, açúcar, café, cacau,
carnes, leite e derivados do mel.
Fonte: Agência Brasil