Greenpeace..........................................................................
Líderes do mundo fracassam na COP15
Os líderes mundiais mostraram hoje sua incapacidade de
colocar seus interesses particulares – especialmente econômicos
– acima das necessidades da humanidade. As milhões
de pessoas que dependiam de uma decisão ambiciosa que de
fato controlasse o aquecimento global foram abandonados à
sua própria sorte.
Os 120 chefes de Estado reunidos em Copenhague, na COP15, falharam.
Eles colocaram suas prioridades domésticas acima de um
compromisso global. E quem vai pagar mais caro são justamente
os mais pobres e vulneráveis. “O acordo não
é justo, ambicioso, nem legalmente vinculante. Os líderes
falharam em evitar o caos climático. Este ano o mundo enfrentou
uma série de crises e com certeza a maior delas é
a crise de liderança”, diz Marcelo Furtado, diretor-executivo
do Greenpeace no Brasil.
Os chefes de Estado abandonaram a COP15 sem declarações
públicas e, principalmente, sem cumprir seu mais essencial
objetivo: evitar os efeitos perigosos das mudanças climáticas.
Um “acordo de Copenhague”, costurado por 30 dos quase
200 países que integram a Convenção do Clima,
é fraco e não representa nem um começo do
que é necessário para controlar as alterações
no planeta. Muitos países da América Latina, da
África e pequenas ilhas se recusaram a se associar ao texto,
em uma clara demonstração de repúdio.
O tal “acordo” determina que os esforços devem
ser feitos para manter o aumento da temperatura em menos de 2°C
e coloca algum dinheiro na mesa para começar a ajudar os
países mais pobres a se adaptarem ao aquecimento global.
Mas falha em seu cerne, ao não determinar uma meta ambiciosa
de corte das emissões de gases-estufa. Sem isso, qualquer
esforço de adaptação é insuficiente.
O presidente americano Barack Obama afirmou ontem, depois de abandonar
a conferência, que o acordo de Copenhague representava a
esperança de uma conclusão feliz de negociações
que estão apenas começando. Afinal, segundo ele,
conseguir um acordo com valor legal é “difícil”
e toma tempo.
A questão é que o aquecimento global não
espera as vontades e as dificuldades enfrentadas pelos políticos.
A justificativa não convence suas vítimas. Longe
dos corredores acarpetados de Copenhague, Washington, Genebra,
Pequim e Brasília, as populações mais vulneráveis
do planeta vão sofrer pela inação desse grupo.
“A cidade de Copenhague foi palco de um crime, com os culpados
correndo para o aeroporto perseguidos pela vergonha”, afirma
Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace International. “Presidentes
e primeiros-ministros tiveram uma chance de uma em um milhão
de mudar o mundo para sempre e impedir que o clima entre em colapso.
Produziram apenas um entendimento cheio de omissões.”
Um acordo com força de lei, justo e ambicioso precisa ser
fechado para controlar as mudanças climáticas. Os
países desenvolvidos, que têm a maior responsabilidade,
precisam cortar em 40% as emissões de gases-estufa em relação
a 1990 até 2020. Os países emergentes também
precisam fazer mais, com redução da taxa de crescimento
de suas emissões. É preciso zerar o desmatamento
das florestas tropicais e criar um mecanismo que financie ações
de adaptação e mitigação nos países
pobres. Sem nada disso, o mundo sai da COP15 deixando o presente
e o futuro da humanidade em perigo.
A sociedade cobrou com propriedade a ida de seus presidentes para
lá, para que assumissem posições corajosas.
Eles foram, mas cumpriram apenas metade de seu papel. “A
ideia de pressionar para que os líderes viessem para cá
era justamente criar as condições para que houvesse
uma decisão. Decidiram não decidir”, diz Paulo
Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Eles
deveriam ter vindo para cá com uma perspectiva global.
Chegaram com os dois olhos virados para seus próprios quintais.
Copenhague era o momento de ser ousado, de ter visão global.
Comportaram-se como provincianos.”
A reunião de cúpula terminou da mesma maneira que
começou, sem metas ambiciosas de corte de emissão,
sem recursos financeiros para longo prazo e sem um texto consensual,
com força de lei, que assegure seu cumprimento junto à
comunidade internacional. “Temos de seguir em frente. Não
apenas com marchas nas ruas, mas engajando o setor privado, o
movimento social e os governos locais para transformar nossa comunidade
e criar mais pressão política nos nossos governantes”,
diz Furtado. “Afinal não podemos mudar a ciência,
mas podemos mudar os políticos.”
Fonte: Greenpeace
Lula
critica posição dos Estados Unidos na COP-15, mas
comemora acordo fechado na reunião
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta segunda-feira
(21) um balanço da participação brasileira
na 15° Conferência das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas (COP-15), que terminou no sábado
(18), em Copenhague. Lula criticou a posição dos
Estados Unidos na reunião e disse que, apesar de um acordo
parcial, a conferência conseguiu resolver parte do problema.
Em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente,
Lula disse que a redução de emissões de gases
de efeito estufa deve ser encarada como um tema prioritário
pelos governantes, principalmente os de países desenvolvidos,
que historicamente emitiram mais e são mais responsáveis
pelo aquecimento do planeta. O presidente citou os Estados Unidos,
que nunca ratificaram o Protocolo de Quioto.
“Os Estados Unidos, ao tomarem essa atitude, fizeram com
que muitos países europeus e mais o Japão, que são
signatários de Quioto, quisessem acabar com o protocolo,
não deixando nada no lugar, para que eles também
não tivessem mais os compromissos com metas”.
Apesar das críticas, o presidente considerou um avanço
nas negociações climáticas o acordo fechado
entre a China, a Índia, a África do Sul, o Brasil
e os Estados Unidos no fim da conferência, mas reconheceu
que a solução global precisa ser legitimada por
todos os países.
“Até o próximo encontro, no México,
nós deveremos fazer um acordo e todo mundo concordar para
que a gente possa, então, definir uma política mundial
para que a gente trabalhe o desaquecimento global”.
O presidente afirmou ainda que as metas brasileiras apresentadas
na conferência, de redução das emissões
nacionais de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até
2020, serão consolidadas com força de lei.
“Já não é mais a vontade do presidente
Lula. Agora, quem quer que governe esse país vai ter que
cumprir”.
Fonte: Luana Lourenço - Agência Brasil
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