
Usando
uma máscara com o rosto da ministra Dilma, uma ativista
distribuiu
para os membros da CTNBio arroz doce, representando o arroz
transgênico
Monitoramento
pós-comercial
dos alimentos transgênicos está mantido
Presidente da CTNBio, Walter Colli,
recua na tentativa de dispensar estudos sobre os impactos ambientais
e para a saúde humana dos transgênicos
Poucas vezes o auditório de uma reunião da Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) esteve
tão cheio como na manhã de quinta-feira (10/12).
Lobistas das indústrias alimentícia e de biotecnologia
disputavam lugares com representantes de ONGs para acompanhar
de perto a votação do fim da resolução
normativa nº 5, que exige o monitoramento dos efeitos dos
transgênicos no meio ambiente na saúde humana depois
de aprovados (ou seja, depois que estiverem sendo comercializados).
Essa foi a última reunião de Walter Colli, como
presidente da CTNBio. Para encerrar seu mandado, ele decidiu
carregar a bandeira da indústria com as duas mãos
e colocar em xeque o próprio trabalho e atuação
de seus colegas, já que a resolução normativa
nº 5 havia sido assinada por ele próprio, em 2007.
A discussão foi acalorada. De um lado Colli defendendo
o ponto de vista da indústria. De outro, membros da comissão
como Paulo Brack, representante do Ministério do Desenvolvimento
Agrário, apontando prejuízos para o pequeno produtor
que estará ainda mais vulnerável se os estudos
forem suspensos. Afinal, um dos objetivos do acompanhamento
é impedir a contaminação de lavouras não
transgênicas.
Por fim, Colli sucumbiu. Disse que vai rever a sua posição
e apresentar uma proposta que dispense os estudos em relação
aos efeitos dos transgênicos na saúde humana, mas
mantenha o acompanhamento dos impactos no meio ambiente.
“O resultado da reunião de hoje é uma mostra
da força da mobilização da opinião
pública. É para ser comemorado, mas é também
para ser visto com cuidado. Esse é só um capitulo
dessa história. Colli recuou, mas não desistiu”,
diz Rafael Cruz, coordenador da campanha de Transgênico
do Greenpeace. “Os transgênicos são uma tecnologia
muito recente, que precisa de acompanhamento. Cada espécie
transgênica pode ter um comportamento diferente, tanto
no meio ambiente como para saúde humana”, completa.
A revisão da resolução normativa nº
5 deve entrar na pauta da próxima reunião da CTNBio,
em fevereiro. Ainda não se sabe quem será o próximo
presidente. Essa é uma escolha do ministro da Ciência
e Tecnologia, Sérgio Resende.
Fonte: Greenpeace