Começa
a Conferência do Clima em Copenhague
Sob olhares
atentos do mundo e com poucas chances reais de terminar com
um acordo efetivo, começou nesta segunda (7) em Copenhague
(Dinamarca) a 15ª Conferência das Nações
Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15). Até
o dia 18, negociadores de mais de 190 países terão
a difícil missão de chegar a um consenso sobre
o novo acordo climático para complementar o Protocolo
de Quioto depois de 2012.
O desafio inclui a conciliação de interesses de
países ricos e nações em desenvolvimento
para chegar a níveis de redução de emissões
de gases de efeito estufa que evitem o colapso climático
do planeta. Também está em jogo a definição
de um mecanismo para compensar a redução de emissões
pelo desmatamento de florestas e dos valores do financiamento
dos países ricos para os que os mais pobres se adaptem
às consequências da mudança do clima, conta
que até agora não está fechada.
Os diplomatas chegam a Copenhague sob pressão para evitar
o fracasso do encontro, alardeado nas últimas semanas
por organizações ambientalistas que temem que
a COP-15 termine apenas com um acordo político, sem medidas
efetivas para salvar o clima. A expectativa ficou menos sombria
após o anúncio de metas e compromissos de países
como os Estados Unidos, a China, Índia e o Brasil.
Grande poluidor e único país rico a não
assinar o Protocolo de Quioto, os EUA prometeram corte de 17%
das emissões até 2020. A China, numa conta mais
complicada, anunciou compromisso de corte entre 40% e 45% por
unidade de Produto Interno Bruto (PIB) até 2020, o que
na prática ainda significa dobrar as emissões
do país. A conta brasileira é de redução
entre 36,1% e 39,8% até 2020, o que segundo o governo,
vai evitar o lançamento de mais de 1 bilhão de
toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera.
Mesmo com parte dos números na mesa, é improvável
que a reunião de Copenhague defina o novo regime global
para complementar o Protocolo de Quioto. Nos últimos
meses, reuniões preparatórias e encontros multilaterais
não foram suficientes para fechar pontos importantes
do acordo, que, pela regras da Organização das
Nações Unidas (ONU), só pode ser aprovado
por consenso.
Um dos principais nós é o impasse sobre o financiamento
de ações de adaptação e mitigação
nos países em desenvolvimento. O dinheiro tem que vir
dos países desenvolvidos, mas até agora não
há sinal de acordo sobre os valores. Os mais pobres argumentam
que são necessários pelo menos US$ 400 bilhões
por ano. A melhor proposta na mesa por parte dos países
industrializados prevê aporte de cerca de US$ 140 bilhões,
mas parte do dinheiro teria que vir dos países em desenvolvimento,
caso do Brasil, da China e Índia.
Geralmente representados por diplomatas e ministros, chefes
de Estado importantes no jogo da negociação climática
já confirmaram presença em Copenhague em algum
momento das próximas duas semanas. O norte-americano
Barack Obama, o francês Nicolas Sarkozy, a alemã
Angela Merkel, o britânico Gordon Brown e o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva estão com passagens
marcadas para a capital dinamarquesa.
Além de governos, participam da COP-15 representantes
de organizações não governamentais, observadores
internacionais e ativistas de todo o mundo. Em duas semanas
de reunião, o número de participantes deve passar
de 30 mil.
Fonte: Luana Lourenço - Agência Brasil
Chegou
a hora da ação, diz secretário-geral da
COP-15
Copenhague (Dinamarca) - Na cerimônia de abertura da 15ª
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas, o secretário-geral do encontro, Yvo
de Boer, conclamou os líderes dos 192 países que
participam dos debates a transformarem propostas em ações
concretas para reduzir o impacto das mudanças climáticas
sobre o planeta.
“O relógio está zerado. Chegou a hora. Temos
que transformar propostas em ações”, afirmou
de Boer, no rápido discurso, que encerrou a cerimônia
de abertura.
O secretário-geral disse que o “bolo de Natal”,
que ele espera de presente este ano, ao final das duas semanas
de discussões, é dividido em três partes:
a base é formada pelas ações de mitigação
de emissões de gases que provocam o efeito estufa, numa
clara referência aos compromissos dos países em desenvolvimento,
especialmente China, Índia, Brasil e África do Sul.
A segunda parte do bolo, segundo de Boer, seria formada pelas
metas dos países ricos para reduzir as emissões
atuais e financiar ações dos países pobres
para adaptar a economia às novas tecnologias limpas e renováveis.
Já a “cereja no topo do bolo” seria um termo
de cooperação entre todos os países para
desenvolver ações mundial coordenadas visando a
combater o aquecimento global.
A meta do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas
(IPCC, sigla em inglês) é reduzir as emissões
mundiais entre 25% e 40% até 2020, considerando o nível
de emissões registrado em 1990.
O chefe do IPCC, Rajendra Pachauri, destacou o efeito imediato
que o aquecimento global já exerce sobre as comunidades
costeiras e sobre as populações em áreas
de risco, como é o caso de milhões de habitantes
de Bangladesh, um dos mais populosos países do planeta.
Ele ainda destacou a polêmica criada, há duas semanas,
pela revelação de e-mails, interceptados por hackers
na Universidade inglesa de East Anglia, apontando para a tentativa
de esconder estudos que indicariam o pequeno impacto da ação
humana sobre o aquecimento da terra. “Milhares de pesquisadores
independentes trabalharam duro nos últimos anos e deixaram
claro o efeito dramático das mudanças climáticas”,
alertou Pachauri.
Ele lembrou que todos têm responsabilidade sobre os efeitos
do aumento da temperatura do planeta. “A comunidade Internacional
tem responsabilidade moral e material para combater as mudanças
climáticas.”
Já o primeiro ministro da Dinamarca, Lars Rasmussen, lembrou
que o mais difícil é garantir um entendimento entre
os países, levando em conta o grande número de interesses
econômicos em jogo ao longo das discussões.
“Ninguém aqui pode subestimar nossas diferenças,
mas o esforço é para que as diferenças sejam
superadas”, sugeriu na abertura da cerimônia.
Os discursos de abertura foram precedidos por uma rápida
apresentação cultural e um vídeo clique,
demostrando o impacto das mudanças climáticas sobre
as próximas gerações. Mas de 20 reuniões
estão marcadas, apenas neste primeiro dia de evento.
Fonte: Roberto Maltchik (Enviado especial) – Agência
Brasil
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