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Nasa propõe meios para 'esfriar' a Terra
RAFAEL
GARCIA
DE WASHINGTON
Uma
ação abrangente para combater a emissão do gás
metano e a poluição por fuligem reduziria o aquecimento
global de 2,2ºC para 1,7ºC em 2050, indica um novo estudo liderado
pela Nasa (agência espacial americana).
Quase todas as medidas necessárias para isso, dizem os cientistas,
teriam seus custos compensados ao evitar gastos em saúde pública
e na agricultura.
Segundo o trabalho, publicado na revista "Science", se o planeta
adotar 14 medidas contra essas substâncias (leia mais abaixo), combateria
a mudança climática, evitaria mortes por doenças
respiratórias e aumentaria a produtividade agrícola.
O documento inclui propostas que vão desde a substituição
de fornos a carvão --grande fonte de poluição em
países pobres-- até o controle do vazamento de metano em
poços de petróleo.
Combater a emissão desse gás, que também é
subproduto da agropecuária, ajudaria os próprios produtores
rurais, porque o metano estimula o surgimento de ozônio em baixas
altitudes, prejudicando a respiração das plantas.
A produção mundial de alimentos teria um incremento de 30
milhões a 130 milhões de toneladas se o ozônio derivado
da poluição fosse reduzido indiretamente por meio do combate
ao metano.
"As colheitas seriam o fator do qual países como o Brasil
mais se beneficiariam", disse à Folha Drew Shindell, do Instituto
Goddard, da Nasa, que liderou o trabalho.
"Em países como China e Índia, o principal benefício
seria na saúde pública, porque o problema de poluição
por fuligem é muito maior lá."
DIPLOMACIA
Segundo Shindell, como a maior parte dos países que tendem a se
beneficiar são também grandes emissores de fuligem e metano,
uma política eficaz não iria requerer um acordo internacional
como aquele que o planeta está buscando contra o CO2 (dióxido
de carbono), principal vilão do aquecimento global.
"No caso do combate a essas outras substâncias, temos mais
chance de progresso se ele for implementado por ações locais",
diz o cientista.
"Iniciativas globais, porém, podem estimular ações
locais, como o financiamento de bancos de desenvolvimento para alguns
projetos."
Mesmo não tendo potencial de aquecimento no longo prazo, a fuligem
contribui para a mudança climática, sobretudo quando se
acumula sobre a neve e o gelo em regiões frias. De cor escura,
ela atrapalha a capacidade da água congelada de refletir radiação
para fora da Terra.
Já o metano é o gás-estufa mais forte, apesar de
não ser o mais abundante.
O combate a esses dois poluentes, porém, não serviria como
compensação para o atraso do planeta em reduzir as emissões
de carbono.
"Se adiarmos mais o acordo do clima, mesmo acabando com todo o metano
e a fuligem, veríamos um enorme aumento no aquecimento, causado
só pelo CO2, na segunda metade do século."
CONTRA O METANO
1. Estender técnicas que evitam o vazamento de gás em minas
de carvão
2. Eliminar as perdas e queimar o gás que hoje escapa de poços
de petróleo
3. Reduzir vazamentos em gasodutos
4. Separar o lixo biodegradável para reciclagem, compostagem e
uso da biomassa
5. Aprimorar o tratamento de esgoto para capturar o metano que escapa
das estações
6. Controlar emissões da pecuária usando um tratamento especial
para o esterco
7. Arejar as plantações de arroz para reduzir as emissões
em plataformas alagadas
CONTRA A FULIGEM
1. Substituir a frota de veículos muito antigos que emitem poluição
demais
2. Instalar filtros especiais nos veículos a diesel
3. Banir a queima de resíduos de agricultura ao ar livre
4. Substituir fornos a lenha por fornos a gás ou combustíveis
de queima limpa
5. Levar aos países pobres a tecnologia de fornos por queima de
biogás
6. Substituir tijolos de barro por vigas verticais ou por tijolos de fornos
mais eficientes
7. Substituir fornos a queima de coque (subproduto do carvão) por
fornos mais eficientes
Fonte: Frente Parlamentar Ambientalista
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