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Devastação
da Mata Atlântica não pára
Ambientalistas
denunciam derrubada de árvores nativas em propriedades
particulares de municípios do Norte de Alagoas
Severino
Carvalho
Repórter
Catástrofes
climáticas, aquecimento global, diminuição
da biodiversidade. Todos os dias o noticiário mostra as
agressões ao meio ambiente e as conseqüências
e projeções nada animadoras para a vida na terra.
Todo
esse quadro aterrador, no entretan, não sensibiliza empedernidos
lenhadores, fazendeiros, comerciantes e atravessadores que lucram
com o comércio da madeira extraída da Mata Atlântica
no Norte de Alagoas.
Na
companhia de um ambientalista da organização não-governamental
(ONG) "Loucos pela Natureza" e "Os Mochileiros",
a Gazeta flagrou a derrubada de árvores nativas em propriedades
privadas nos limites dos municípios de Paripueira, Barra
de Santo Antônio e de São Luís do Quitunde.

CINZA
E CERÂMICA
O
que a natureza levou anos, décadas, para criar, se transforma
em estacas,.caíbros, linhas ou vira cinzas nos fomos de
padarias e de cerâmicas da região Norte de Alagoas.
A
madeira também abastece serrarias de Arapiraca, para onde
o grosso da produção é levado. Tudo isso
acontece sob o véu da impunidade e da falta de fiscalização.
Quem
trafega pelas rodovias ALs-10l e 105 Norte, que cortam Paripueira,
Barra de Santo Antônio e São Luís do Quitunde,
não imagina que no interior desses municípios existam
importantes remanescentes da Mata Atlântica.
Estradas
de barro levam a rincões onde o verde claro da cana-de-açúcar
é quebrado pelo verde escuro das copas das árvores
nativas. Estacas fixadas à beira do tortuoso caminho chamam
a atenção. A tosca sinalização serve
para informar aos caminhoneiros que ali é um ponto de abastecimento
de madeira.
A
Polícia confirma a existência de desmatamentos em
áreas particulares nos limites entre os municípios
de São Luís do Quitunde, Paripueira e Barra de Santo
Antônio, mas não revela as áreas onde o crime
ambiental está ocorrendo para não atrapalhar as
investigações de combate aos devastadores.
Policiais
Militares e fiscais do Instituto do Meio Ambiente (IMA) até
fiscalizam, mas nem sempre conseguem prender os infratores.
As
árvores são derrubadas pelos lenhadores no coração
das matas a machadadas e levadas no lombo de burros e cavalos.
Os animais são conduzidos pelos cambiteiros, trabalhadores
rurais arregimentados para guiar os animais com a mercadoria até
o ponto de embarque, que, geralmente, fica próximo à
beira das estradas de barro, onde os caminhões são
abastecidos.
QUEIMA
DA MADEIRA
O
material estocado é camuflado com galhos secos e muitas
vezes passa dias à espera do comprador. Já a madeira
vendida para as serrarias é lavrada dentro das matas. Lenhadores
instalam forquilhas e lapidam as toras, arrancando-lhes a casca.
Acusados
de desmatamento são detidos
Três
machadeiros foram detidos e dois fazendeiros de Barra de Santo
Antônio autuados por devastar mata atlântica
Três
machadores foram presos em flagrante e dois fazendeiros autuados
por crime ambiental em Barra de Santo Antônio, litoral Norte
de Alagoas. Eles são acusados de promover o desmatamento
seletivo de áreas de mata atlântica em duas propriedades
rurais. Foram apreendidas 70 toras de espécies nativas,
machados, foices e sinalizadores. Um adolescente foi apreendido.
A
operação foi realizada pelo Batalhão de Policiamento
Ambiental (BPA) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) com o apoio da
Policia Civil. .
Segundo
o agente de fiscalização do Ibama, Roberto Correia,
as propriedades onde foram constatados os desmatamentos pertencem
ao ex-prefeito de São Luís do Quitunde, João
Cordeiro, e ao empresário Carlos Oliveira, dono de uma
gráfica em Maceió. Os dois não foram encontrados
pela reportagem.
Os
machadeiros Eduardo dos Santos, José Alfredo dos Santos
e José Paulo da Silva foram presos em flagrante e levados
para a Delegacia de Plantão (Deplan) 3, em Maceió,
onde foram autuados. De acordo com o fiscal do Ibama, tanto os
lenhadores como os donos dos imóveis responderão
penal e administrativamente pelo crime contra a flora, que prevê
de um a três anos de detenção.
Correia
revelou que Oliveira e Cordeiro são reincidentes, já
foram multados por desmatamentos em áreas de mata atlântica
nas mesmas propriedades onde, na tarde de quinta-feira, fora constatado
o novo crime ambiental. Segundo apurou a policia junto aos lenhadores,
as toras seriam queimadas nos fornos da cerâmica de Cordeiro,
localizada em São Luís do Quitunde.
DENÚNCIA
A
Gazeta denunciou em duas reportagens publicadas no ano passado
o avanço do desmatamento em áreas privadas de mata
atlântica, na região Norte de Alagoas, nos municípios
de Barra de Santo Antônio, Paripueira e São Luís
do Quítunde.
Além
de abastecer os fornos das cerâmicas da região, a
madeira extraída também é transformada em
carvão vegetal e vendida em pacotes em postos de combustíveis
de Maceió.
Caminhões
carregados com árvores nativas abastecem, ainda, ávidas
serrarias em Arapiraca, no Agreste alagoano.
A
madeira é retirada de dentro da mata no lombo de burros,
por meio dos "cambiteiros", homens que são remunerados
para remover o material por intermédio de picadas abertas
em meio às árvores até o local do embarque
em caminhões.
Segundo
o Batalhão de Policiamento Ambiental, há ainda denúncias
de que pessoas armadas e envolvidas em crimes na região
Norte estejam atuando no desmatamento ilegal na região
Norte de Alagoas.
O material apreendido foi levado para a sede do Ibama em Maceió,
onde ficará retido. Os presos foram transferidos ontem
para a delegacia de Barra de Santo Antônio.
Orientados
por advogados, os acusados se negaram a prestar qualquer declaração
à imprensa.
Fonte:
Gazeta de Alagoas – 05/01/2008
Alagoas mantém 24 reservas particulares
Criadas
com o objetivo de conservar a diversidade biológica, áreas
também servem de atrativo turístico e educacional
Criadas
com o objetivo de conservar a diversidade biológica, sendo
permitidas a pesquisa cientifica e a visitação com
objetivos turísticos, recreativos e educacionais, as Reservas
Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) têm gerado
bons frutos em Alagoas.
Atualmente
existem 24 reservas desse tipo no Estado e a expectativa é
que esse número aumente ainda mais com o decreto Nº
3.050, de 9 fevereiro de 2006, que autoriza o Instituto do Meio
Ambiente de Alagoas (IMA) a proceder o cadastramento das RPPNs.
Antes, apenas o instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) tinha autorização.
A
RPPN é um dos doze tipos de Unidades de Conservação
(UCs), que equivalem a áreas definidas pelo poder público
com o objetivo primeiro da proteção da biodiversidade
existente em seu interior.
UNIDADES
DE CONSERVAÇÃO
Na
Mata Atlântica existem hoje no Brasil cerca de 860 unidades
de conservação, que vão de pequenos sítios
transformados em RPPNs até áreas imensas como o
Parque Estadual da Serra do Mar, com 315 mil hectares. Os dados
são da Fundação S.O.S Mata Atlântica.
O
Instituto do Meio Ambiente (IMA) já formalizou a criação
de três RPPNs em Alagoas desde que o decreto foi publicado.
As reservas ficam nos municípios de Maceió (Fazenda
Aldeia Verde - l1,42ha), Mar Vermelho (Fazenda Canadá -
8,28ha) e Paripueira (Fazenda Placas ¬202,36ha). Até
setembro, a expectativa é que sejam criadas ao menos mais
seis reservas e até o fim do ano, outras 18.
VANTAGENS
O
diretor de Unidades de Conservação do IMA, Alex
Nazário, pontua as vantagens para o proprietário
ao criar uma RPPN. "O direito da propriedade é preservado
em cartório.O dono tem isenção do ITR (Imposto
sobre a Propriedade Territorial Rural) e prioridade na concessão
de créditos agrícolas e nas análises de projetos
ambientais", exemplificou.
Nazário
revela que o IMA trabalha em parceria com ONGs a exemplo da Macambira
e do Instituto para Preservação da Mata Atlântica
(IPMA). Estas instituições fazem "o meio-de-campo"
entre o órgão ambiental e os fazendeiros que desejam
criar em suas propriedades uma RPPN.
"É
preciso que o proprietário manifeste interesse para criar
a reserva", frisou o diretor do IMA, lembrando que as ONGs
buscam e convencem os fazendeiros a instituir uma RPPN. "As
entidade captam a documentação necessária
e nos envia a papelada, agilizando o processo", acrescenta.
Para
o analista ambiental do Ibama, Walter Sobrinho, o grande lucro
para o proprietário não está nas vantagens
pecuniárias, mas, sim, na compensação ambienta!.
"A vantagem é garantir que as reservas de Mata Atlântica
que ainda existem sejam preservadas", pontuou Sobrinho. Ele
lembra que muitos fazendeiros, a médio e longo prazos,
acabam colhendo dividendos ao transformar as reservas em áreas
de visitação turística. O Ibama em Alagoas
já criou 21 RPPNs. Outros 20 processos estão sob
apreciação.
BIOMA
MAIS RICO
A
Mata Atlântica é o bioma mais rico em biodiversidade
do planeta. Ao todo são 1.300.000 km2, o que representa
cerca de 15% do território nacional, englobando 17 Estados
brasileiros. A floresta atinge ainda áreas do Paraguai
e da Argentina. Somado à magnitude destes números,
um outro dado preocupa: cerca de 93% de sua formação
original já foi devastada.
Cassificada
como um conjunto de fisionomias e formações florestais,
a Mata Atlântica se distribui em faixas litorâneas,
florestas de baixada, matas interioranas e campos de altitude.
São
nessas regiões que vivem também 62% da população
brasileira, cerca de 110 milhões de pessoas. Um contingente
populacional enorme, que depende da conservação
dos remanescentes de Mata Atlântica para a garantia do abastecimento
de água, a regulação do clima, a fertilidade
do solo, entre outros serviços ambientais.
A
maior ameaça ao já precário equilíbrio
da biodiversidade é justamente a ação humana
e a pressão da sua ocupação e impactos de
suas atividades.
PROTEGE
A AGUA
A
Mata Atlântica protege os processos hidrológicos
responsáveis pela quantidade e qualidade da água
potável para cerca de 3,4 mil municípios, e para
os mais diversos setores da economia nacional, como a agricultura,
a pesca, a indústria, o turismo e a geração
de energia. (Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica).
Fonte: Gazeta de Alagoas– 12/08/2007
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