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O pré-sal e o Meio Ambiente
Por
Fernando Marcelo Tavares*
O
debate que se aprofunda sobre a destinação dos recursos
advindos da exploração das camadas do pré-sal
no litoral sul/sudeste ainda não abordou um ponto muito
importante em toda esta discussão: a questão ambiental.
Ou seja, num momento em que se sabe que é preciso minimizar
o aquecimento global através de adoção de
técnicas limpas e sustentáveis, investindo-se em
fontes de energia alternativas em substituição aos
combustíveis fósseis, surgem, das profundezas, 40
bilhões de barris de petróleo, cujas emissões
correspondentes estarão na atmosfera nos próximos
anos, alimentando ainda mais o ciclo do aquecimento global.
Impensável,
com as novas posturas empresarias diante da questão ambiental,
em especial da própria Petrobras nos dias de hoje, que
não se considere os custos ambientais da exploração
e os contemple na contabilidade geral dos custos, investimentos
e repartições. Mais especificamente, neutralizar
todo o carbono que gerar na exploração do pré-sal,
com a logística operacional e com potencial poluidor do
próprio petróleo produzido. Investindo-se em tecnologias
limpas, estruturando novos procedimentos, e plantando árvores,
bilhões de árvores necessárias à neutralização
e que nossos mananciais hídricos agradeceriam muito, aliás,
insumo sem o qual não se explora coisa alguma em lugar
nenhum.
A
discussão sobre onde aplicar os lucros é grande.
Como se estivéssemos diante do gênio da lâmpada
tendo que escolher um desejo, no caso o da inclusão social
e cultural que uns entendem deva ser feito através da educação,
outro da saúde e mais um que quer ver os recursos investidos
em habitação. Discussão justa e interessante,
até mesmo para percebermos as dimensões exatas de
nossas misérias.
Mas,
é preciso re-arrumar bois e carroça. Primeiro os
custos, depois, se viável, os lucros. Assim, investimentos
em logística e infra-estrutura nas localidades operacionais,
pagamentos de royalties preferencialmente às cidades impactadas,
a neutralização do carbono, além do planejamento
estratégico participativo nas regiões envolvidas,
devem ser prioritariamente garantidos. A exploração
do pré-sal não pode repetir o erro do passado que
impactou demasiadamente cidades como Macaé, que de uma
hora para outra envolveu-se num turbilhão transformando-se,
da bucólica "Princesinha do Atlântico"
à província petrolífera que dá suporte
para a produção de 86% da produção
nacional de petróleo.
O
planejamento que faltou na implantação da Bacia
de Campos não pode faltar no Pré-sal. Tem a questão
grave da pesca, a atividade mais impactada pela produção
off-shore de petróleo e gás. É preciso recuperar
os manguezais no continente e formar pesqueiros induzidos fora
da rota offshore. É preciso organizar os pescadores. É
preciso repensar o descarte de resíduos orgânicos
pelas plataformas e embarcações em alto mar, permitido
por norma internacional, mas que têm provocado impactos
aqui e por isso deve ser mudado. Tem a questão da mão-de-obra
e da atração de pessoal desqualificado, e o conseqüente
surgimento de favelas em áreas de risco e de preservação
ambiental. É preciso garantir que o desenvolvimento se
dê de forma distributiva em várias regiões
simultaneamente.
Estas
demandas não são miçangas, nem devem ser
substituídas por projetinhos pra inglês ver nas revistas
de responsabilidade social. São custos operacionais prioritários
com referência consolidada.
Feito
isso, noves fora, aí sim, deve-se passar à discussão
de como vai ser usado o excedente para minimizar o sofrimento
do povo brasileiro, que merece desfrutar deste tesouro. Se abaixando
o preço da gasolina, investindo-se em educação,
saúde, habitação, esporte para todos ...
carências não faltam para serem supridas.
Ilusão
achar que o Pré-sal vai resolver todos os problemas. Não
vai. Por isso este impasse diante do gênio. Tirar de mil,
um só desejo.
*
É Jornalista e ambientalista
Fonte:
REBIA Sudeste / Paulo Moraes.
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