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As eleições 2008 e a cidadania socioambiental
Por
Mário Mantovani*
A
Mata Atlântica passa por mais de 3400 municípios,
com realidades muito diversas. Numa extensão como esta,
os governos municipais são essenciais para que a temática
ambiental saia do papel e seja colocada em prática. É
nas esferas locais que se dá de fato a regulamentação
e a aplicação das possibilidades legais de proteção
ambiental apresentadas na Constituição Federal e,
mais recentemente, na Lei da Mata Atlântica, aprovada no
final de 2006.
Pensando
em fornecer instrumentos para o cidadão eleitor que quer
exercer o seu papel de cobrança e de direcionamento das
propostas dos candidatos, a Fundação SOS Mata Atlântica
lançou a "Plataforma Ambiental 2008" pensando
nos governos locais, nos candidatos a prefeitos e vereadores municipais.
O documento foi produzido em parceria com a Frente Parlamentar
Ambientalista, a Associação Nacional de Órgãos
Municipais de Meio Ambiente (ANAMMA) e o Instituto Brasileiro
de Administração Municipal (IBAM).
A
"Plataforma Ambiental" é um programa desenvolvido
pela SOS Mata Atlântica desde 1989. O primeiro passo indicado
para o eleitor é que ele tome conhecimento da situação
dos remanescentes florestais na sua região. Para isso,
temos o Atlas da Mata Atlântica, que pode ser acessado gratuitamente
no portal www.sosma.org.br . Este levantamento da situação
do Bioma é atualizado a cada 5 anos e é desenvolvido
por meio da análise de imagens de satélite, em parceria
com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com patrocínio
do Bradesco e co-patrocínio da Colgate-Palmolive. Também
no portal www.sosma.org.br , o eleitor pode acessar a íntegra
da "Plataforma Ambiental", imprimi-la para levar aos
seus candidatos e, depois de receber a aprovação
do candidato para as propostas deve voltar ao site para registrar
o compromisso assumido.
A
agenda socioambiental que propomos para os candidatos tem como
eixos estruturais o desenvolvimento sustentável (compatibilizar
o desenvolvimento socioeconômico com a preservação
ambiental e a qualidade de vida), clima (reduzir a emissão
de gases de Efeito Estufa, estabelecendo políticas locais
relacionadas às mudanças climáticas, e de
estímulo ao seqüestro de carbono), educação
e saúde (investir na formulação de políticas
de saúde e educação e, conseqüentemente,
na melhoria da qualidade de vida, incluindo-as como estratégicas
na busca pelo desenvolvimento sustentável) e saneamento
básico (água, esgoto, resíduos sólidos
e drenagem urbana - tornar disponíveis à população
do município o acesso à água potável;
o atendimento por sistemas adequados de coleta, tratamento e disposição
final do esgoto sanitário; coleta, tratamento e destino
final dos resíduos sólidos e de drenagem e manejo
das águas pluviais urbanas). A "Plataforma" contempla
uma agenda institucional, com direcionamentos para que o município
faça funcionar melhor os instrumentos integrantes do seu
sistema ambiental; indica as atitudes que devem ser assumidas
pelo legislativo; e apresenta uma agenda para o envolvimento efetivo
dos cidadãos nos processos decisórios, por meio
de instrumentos como a Agenda 21 Local.
No
documento, também há uma agenda temática,
com cuidados especiais para os municípios que possuem áreas
de Mata Atlântica, para que estejam atentos à proteção
de regiões de mananciais, realizem o zoneamento ambiental
municipal, valorizem e protejam as Unidades de Conservação
públicas ou particulares, fiscalizem e monitorem os remanescentes.
Outros temas presentes na gestão municipal também
são contemplados, como o uso, ocupação e
parcelamento do solo; a criação e preservação
das áreas verdes com o mínimo de 12 metros quadrados
de área por habitante; o correto gerenciamento dos resíduos
sólidos; a promoção do turismo sustentável;
o acompanhamento das práticas de agricultura; os cuidados
com a energia, com a habitação e com a proteção
aos animais.
A
Constituição Federal de 1988 conferiu ao Município
autonomia política, administrativa e financeira, inclusive
tributária, para atuar de forma efetiva na proteção
ao meio ambiente e integrando-o ao Sistema Nacional de Meio Ambiente
(SISNAMA). O capítulo "Meio Ambiente" e outras
partes do documento necessitam ser regulamentadas e efetivadas
para a sua aplicação no nível local, assim
como as premissas da Lei Orgânica Municipal.
Entre
as conquistas da Conferência das Nações Unidas
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (RIO'92), ainda há
várias questões a serem enfrentadas neste Brasil
urbano, que concentra mais de 80% da população morando
nas cidades e onde a Mata Atlântica foi sendo destruída
para dar lugar aos nossos vários ciclos econômicos.
É bom lembrar, também, que mesmo reduzida a cerca
de 7% de sua cobertura florestal original, a Mata Atlântica
ainda garante bens essenciais como água limpa, ar puro,
clima ameno e qualidade de vida para mais de 120 milhões
de habitantes, ou 67% da população brasileira.
As
ações governamentais locais devem prever tanto o
trabalho conjunto com as esferas estaduais e federais, como o
envolvimento do cidadão na decisão e na aplicação
das políticas.
Entre
os princípios que a "Plataforma" reforça
estão o meio ambiente como bem de uso comum do povo, a
priorização do interesse público, o acesso
à informação, a participação
da população e a compatibilidade com ações
de âmbito econômico, social, de saúde, educacional
e cultural.
Ao
escolher seu candidato, não esqueça, então,
de que é urgente dar o devido respeito e atenção
ao papel dos municípios na conservação ambiental.
Seja você também protagonista desta mudança.
Exerça sua cidadania socioambiental. Informe-se e multiplique
este conhecimento. Reúna amigos e trace com eles estratégias
de mobilização na sua comunidade. Divida com o maior
número de pessoas suas percepções a respeito
do ambiente que os rodeia, divulgue os compromissos dos seus candidatos
e tenha certeza de que o trabalho só está começando
com a eleição.
A
partir do mês de Janeiro de 2009, seu papel é ainda
mais importante. Prepare-se para cobrar ações concretas
dos novos governantes e para exigir a aplicação
das promessas realizadas durante a campanha.
*
Mario Mantovani é Diretor de Mobilização
da Fundação SOS Mata Atlântica
Fonte:
Envolverde / ECO 21 / REBIA Sudeste / Tatiana Donato Trevisan
Pinheiro.
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