A
contribuição das formigas no equilíbrio
ambiental
Raquel
Brandão*
As
formigas são um tipo de animal artrópodes. Elas
vivem em sociedade de forma bem diferente de nós, a milhares
de anos. Enquanto algumas poucas reproduzem, a maioria delas
está na função de operária, trabalhando
na busca por alimento para o formigueiro e no transporte desse
alimento para a colônia. Isto é, elas dividem as
tarefas de forma que nenhuma delas passe necessidade, e a perpetuação
da espécie está sempre sendo cuidada.
Outra
característica específica das formigas –
que foi o que me motivou a escrever este artigo – está
intimamente relacionada com o planeta Terra e a temperatura
do ambiente: enquanto, incansáveis, constroem túneis
que as façam chegar mais rapidamente e com segurança
no centro de armazenagem do alimento no formigueiro, elas contribuem
para a redução da temperatura da terra e conseqüentemente
para a perpetuação de todas as espécies
de seres vivos.
Dizem
os estudos sobre o inseto que, quando elas trabalham de forma
redobrada, é porque nuvens e tempestades estão
prestes a ocorrer. Assim elas garantem o alimento por vários
dias, protegidas do frio. Talvez seja esse o motivo pelo qual
chamamos os outros e a nós mesmos por formiga, quando
nos vimos incansáveis diante do trabalho.
O
ponto de questionamento que nos fez pensar e repensar essas
questões, esbarra na realidade da proliferação
cada vez maior destes insetos e na incompreensão humana
observada com estes animais até então. Certamente
que poderia citar uma meia dúzia de ocasiões em
que presenciei o respeito para com as tais apreciadoras de açúcar
e restos de alimentos, como por exemplo, o dia em que trabalhando
no planejamento estratégico de uma organização
não-governamental, admirei-me com a atitude da presidenta,
quando ao invés de esmagar as benditas trabalhadoras,
espantou-as batendo com o talher no açucareiro, de forma
que elas se dispersaram. Recentemente, em outra ocasião
e instituição, vi pessoas tentando se esquivar
de esmagá-las no caminho, demonstrando sensibilidade
admirável para com as trabalhadeiras.
Atitudes
como esta podem servir de riso em alguns momentos, mas olhando
com carinho certamente serviria de educação ambiental
a vários interessados no assunto e aprendizes das relações
ambientais. Por que não aprendemos com elas a nos defendermos
das catástrofes, ou tragédias que poderiam ser
evitadas se ao virmos uma quantidade exagerada das minúsculas,
incessantes no trabalho, lembrássemos que deveríamos
também nos precaver?
Uma
pena porque será que um dia nos arrependeremos, mais
do que hoje, pelo aquecimento global, pela nossa incompreensão
com os bichinhos minúsculos, que trabalham incessantes
no sentido de se perpetuarem instintivamente e que acabam nos
auxiliando nessa empreitada? Certamente pensaremos em por quê
não deixamos, elas, as formigas viverem mais, para que
também nós possamos viver mais e melhor? Por que
não deixamos elas viverem em paz, nos seus caminhos de
ventilação, que ajudam a terra respirar e entrar
água no solo? E em por quê elas continuam nessa
árdua tarefa sem a nossa ajuda, trabalhando sem nem pensar
que podem ser esmagadas a qualquer momento? É uma pena,
mas é a diferença entre nossa evolução
e a evolução delas, acredito que os outros animais
tenham mais consciência ambiental que nós, seres
humanos. Mas não desisto, acredito que ainda podemos
melhorar, por isto, estas palavras.
*jornalista
e consultora do terceiro setor em Alagoas