| Cenários
de um novo mundo
Por Vilmar Sidnei Demamam Berna*
Nem
todos agem da mesma forma diante dos problemas. Uma boa parte
das pessoas tende a continuar vivendo como se nada estivesse acontecendo,
como se os problemas só afetassem aos outros, ou como se
a responsabilidade pela solução dos problemas fosse
dos outros, do vizinho, das autoridades, dos empresários.
Outros preferem fugir e a maneira mais comum de fazer isso é
negando a existência do problema ou minimizando sua importância
através de piadinhas e ironias que inclusive desqualifiquem
os denunciantes! A inteligência humana é brilhante
para encontrar soluções quando quer fazer, mas também
pode ser brilhante para encontrar desculpas para não agir
quando não quer.
Não
é novidade para ninguém que nosso estilo de vida
consome mais recursos naturais do que a natureza consegue repor
e que usamos o Planeta como se fosse uma enorme lixeira para descartar
os nossos restos. Entre as muitas conseqüências, assistimos
o agravamento das mudanças climáticas que já
afetam a vida e os bens de milhões de pessoas em todo o
Planeta. E este é só o começo dos novos tempos.
Alguns falam em processo de extinção de nossa espécie.
Não acredito. Nossa maior característica é
o de nos adaptar. Estamos presentes desde os desertos às
florestas, dos locais mais frios aos mais quentes, dos mais alagados
aos mais secos, sobrevivemos a terremotos, vulcões, tsunamis,
tigres dente-de-sabre, vírus e bactérias! Nossa
espécie está pronta para continuar, doa a quem doer!
Outra
característica nossa é a violência. O amor,
a generosidade, a solidariedade fazem parte de nossos sonhos,
de nossos ideais, inspiram artistas, religiosos, ideólogos,
mas a realidade é bem outra! A história da presença
humana sobre este Planeta tem sido uma história de sucessivas
guerras contra a natureza, contra os deuses, contra os animais,
contra nós mesmos. Ainda hoje, em nossas cidades, e também
no trânsito, se mata mais gente que nas guerras! Não
deveríamos, mas aprendemos a conviver e a aceitar como
naturais uma sociedade organizada na base da exploração
de um pelo outro, que submete a natureza não para atender
às necessidades de muitos, mas aos desejos e ganância
de uns poucos. Quem hoje domina o poder de usar dos recursos naturais
para enriquecer não irá ceder facilmente quando
este domínio for ameaçado por qualquer razão.
A tendência será cravar mais fundo os dentes para
assegurar suas fontes de recursos e poder, como fazem os parasitas
quanto o hospedeiro tenta removê-los!
Com
o agravamento das secas e inundações e a intrusão
da água salina nos lençóis de água
subterrânea, devido o aumento dos oceanos, os prejuízos
para a agricultura serão enormes e um dos resultados além
da fome será a migração de populações
de famintos do campo para a cidade, inchando ainda mais as favelas
e pressionando os empregos e salários, demandando serviços
de saúde, educação, etc. Se no campo, essas
pessoas eram braços e pernas para produzirem alimentos,
nas cidades, serão bocas a mais para serem alimentadas.
Nossa espécie conhece bem o problema e a tendência
é aumentar a vigilância sobre as fronteiras e adotar
soluções como a dos EUA para impedir a migração
de mexicanos. Um mundo mais aquecido será também
a de ser um mundo mais dividido, menos solidário, e com
mais conflitos!
Existem
outras pessoas que, diante de problemas, tendem a enfrentá-los.
Primeiro buscando manterem-se bem informadas sobre a real dimensão
dos problemas, separando fantasia da realidade. Segundo, capacitando-se
para os novos desafios com cursos e treinamentos adequados. Pessoas
com visão empreendedora saberão identificar oportunidades
na crise e continuarão produzindo riquezas e gerando empregos,
pagando impostos! Em poucos anos, por exemplo, os oceanos estarão
maiores e invadirão mais terras, pressionando as infra-estruturas
nas cidades. Os conhecimentos e tecnologias de povos que vivem
abaixo do nível do mar, como os holandeses, serão
importantes nessa nova fase. E a vida continuará, como
sempre, apenas num mundo diferente deste.
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Vilmar é escritor e jornalista, editor da Revista e do
Portal do Meio Ambiente. Mais informações: www.escritorvilmarberna.com.br
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