Ó
Pátria Amada, Idolatrada, Salve! Salve!
SOS SOBERANIA ,VERGONHA NACIONAL
Por
Rita Souza - Instituto Educa Mata Atlântica
Enquanto
o mundo inteiro se mobiliza em prol da sustentabilidade ambiental
e da proteção das nossas florestas (brasileiras)
o Brasil consegue dar um grande passo para trás: a bancada
ruralista no Congresso se mobiliza para detonar o que ainda
resta dos ecossistemas brasileiros. A proposta do Novo Código
Ambiental é descentralizar a política ambiental
brasileira, com a criação de legislação
regional, não mais nacional. O atual código, criado
em 1965, necessita de nova revisão e atualização,
aprimorando aquelas modificações realizadas em,
1972, 1973, 1986, 1989 e 2001, mas nem por isto deve ser jogado
no lixo. As alterações propostas visam interesses
particulares dos produtores rurais e de políticos a eles
associados em prejuízo da defesa dos recursos naturais
do país. Soberania zero! Suserania 10!
Nesta luta a representatividade dos ambientalistas é
pequena, sopesando a combatividade. Dos 18 membros titulares
da comissão, dez são da bancada ruralista. Se
você permitir o Código Florestal Brasileiro será
revogado; as Leis de Política Nacional de Meio Ambiente,
de Crimes e Infrações contra o Meio Ambiente e
a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação
serão cruelmente violentadas... Ou seja, será
REVOGADO O FUTURO DO PAÍS E DAS PRÓXIMAS GERAÇÕES.
De
1999 a 2009 andamos 10 anos para trás.
Em 1999, a bancada ruralista do Congresso Nacional - representada
pelo deputado federal Moacir Micheletto (PMDB-PR) e pela Confederação
Nacional da Agricultura (CNA) - tentou aprovar o projeto do
deputado paranaense que permitia a ampliação legal
do desmatamento e reduzia ou eliminava áreas responsáveis
pela preservação e conservação dos
recursos hídricos. As alterações propostas
no projeto para alterar o Código Florestal Brasileiro
beneficiariam, sobretudo, grandes proprietários rurais
e se não fosse a grande mobilização nacional
iniciada por ambientalistas “radicais” que culminou
na Campanha SOS FLORESTAS cerca de 40% das nossas florestas
teriam efetivamente virado fumaça (só 18 % viraram).
Em 2009, o agrônomo e deputado federal Valdir Colatto
(PMDB-SC) consegue ser pior que o deputado Micheletto na sua
gana para destruir. Em comum, além dos dois “tes”
ambos não aceitam o poder de influência de ambientalistas,
são “naturalmente” Eco fóbicos.
O Crime Ambiental no Brasil compensa
A atual articulação vergonhosa teve início
em dezembro de 2008 quando proprietários rurais, que
já haviam recebido multas e sanções por
não cumprirem a lei, foram anistiados pelo Decreto Presidencial
6686/08 que concedeu mais um ano para que os produtores rurais
assumissem o compromisso de preservar o percentual de 20% das
suas florestas e se adaptassem às exigências do
decreto 6514/08, que pune (ia) com rigor as infrações
administrativas decorrentes dos crimes ambientais, ou seja,
prorrogou o prazo até dezembro de 2009 para que fizessem
a averbação em cartório de 20% da cobertura
florestal das propriedades rurais, a chamada de Reserva Legal
(RL) além de serem obrigados a preservar as margens dos
rios, lagos, lagoas, açudes, nascentes, encostas e topos
de morros chamados áreas de preservação
permanente (APP). O Crime Ambiental no Brasil compensa tanto
que a partir de 11 de dezembro deste ano provavelmente quem
desmatou além do permitido poderá desmatar ainda
mais. São 3 milhões de propriedades sujeitas a
sanções legais por devastações irregulares
e que serão beneficiadas.
A
própria edição do Decreto 6514/08, exacerbando
em muito a regulamentação da Lei 9.605/98, é
sinal da vontade governamental em “deixar” para
o Judiciário a hercúlea tarefa de dar eficácia
aos dispositivos que emanou. Ninguém, em sã consciência,
editaria um Decreto repleto de erros crassos de direito, sem
a intenção de remeter o assunto para a esfera
jurisdicional.
Pecuária extensiva e a abertura de novas áreas
para a monocultura – como plantio de soja e algodão.
Agricultores,
madeireiros e pecuaristas não aceitam que as suas atividades
considerem os problemas ambientais que eles mesmos vêm
causando no decorrer dos últimos séculos. Eles
querem dividir o ônus ambiental com a sociedade consumidora,
que já paga caro pelos produtos e vai pagar mais caro
ainda pela falta de florestas. A bancada ruralista se mobilizou
e formou lideranças que reúnem políticos
de várias espécies. Infelizmente nenhuma delas
está ameaçada de extinção como a
biodiversidade brasileira.Infelizmente estão gordos,
fortes e se reproduzem como nunca – eles realmente tem
estratégia eficiente de sobrevivência. Juntaram-se
a eles investidores, especuladores e grandes transnacionais
que estão de olho nas novas áreas de “abate
das nossas florestas”.
Exemplo
de Caos Ambiental
Usando como modelo o estado de Santa Catarina, nossos bravos
políticos tentam implantar no país inteiro a desgraça
ambiental total. A Lei aprovada neste estado (SC) reduziu inconstitucionalmente
e drasticamente as áreas de preservação
permanente (APP´s) para aumentar as áreas destinadas
à agricultura e pecuária. Também legalizou
ocupações irregulares e patrocinou a favelização
em encostas e topos de morros, as mesmas áreas afetadas
pelas chuvas que castigam o estado desde o ano passado. Mesmo
a nova lei literalmente indo por água abaixo e por interesses
que ninguém entende, o Brasil está prestes a adotar
este modelo que se preocupa em aumentar a produção
a qualquer preço mesmo que este seja pago com VIDAS presentes
e futuras.
O
deputado Valdir Colatto (PMSB/SC), Presidente da Frente Parlamentar
da Agropecuária, propõe que a unidade de conservação
da biodiversidade seja a bacia hidrográfica, e não
a propriedade, como estabelecido atualmente. As exigências
legais recairiam sobre o conjunto de cada Estado e não
sobre cada fazenda ou produtor. Deste modo ele conseguirá
desmatar mais 21% de florestas em Santa Catarina já que
o estado tem cerca de 41% de matas nativas. Não é
demais lembrar que uma bacia hidrográfica é composta
de inúmeras micro-bacias hidrográficas, que estão
localizadas em propriedades rurais, não numa região
hidrográfica.
O que os ruralistas querem além de não cumprir
a lei?
Diminuir as áreas de preservação permanente
(APP´s) substituindo o espaço destinado às
florestas: nas margens dos rios, córregos, nascentes,
lagos, lagoas (mata ciliar). Para quem não sabe a chamada
“mata ciliar” é a preocupação
central para o desenvolvimento rural sustentável. Da
mesma forma que os cílios protegem os nossos olhos, as
matas ciliares protegem a nossa água, o nosso solo e
nossa fauna e garantem o abastecimento para as futuras gerações;
Tornar as multas por crimes ambientais proporcionais ao tamanho
da propriedade, independente da gravidade do crime cometido;
Extinguir
as penas de prisão por Crime Ambiental/descumprimento
do Código Ambiental substituindo-as por compensação
ambiental;
Modificar
e unificar as normas ambientais em vigor nas áreas rurais
e urbanas do país ampliando os problemas hoje restritos
aos produtores para empresários de todos os setores da
economia e moradores de áreas urbanizadas;
Tirar
o poder do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), e transformá-lo
em instância "consultiva e propositiva" de normas
para um novo conselho superior a ser composto por ministros
de Estado.
Fundo
de compensações financeiras por serviços
ambientais prestados pelos produtores rurais e na previsão
de um fundo ambiental abastecido com dinheiro de multas e por
contribuições obrigatórias de União,
Estados e empreendedores, além de recursos derivados
de eventuais créditos de carbono e de concessionários
de serviços públicos.
Fonte: Frente Ambientalista