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PRAIA: Recurso Renovável em Extinção
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Por Mauricio Aquino
Atualmente
70% do litoral no mundo inteiro estão sofrendo um fenômeno,
relativamente recente à nossa percepção,
denominado Erosão Costeira. Não que este seja um
fenômeno novo, pois não é! O que nos choca
é a sua aparente intensidade, recentemente e sem dúvida,
a sua capacidade de gerar prejuízos.

Bar ameaçado
ano passado na Ponta Verde
A
linha da costa, ou a praia, como é popularmente conhecida,
sem dúvida é uma das feições mais
dinâmicas do planeta. Sua posição muda diariamente
e são muitos os fatores que interferem nessas mudanças,
alguns naturais, intimamente ligados ao balanço de sedimentos,
variações do nível relativo do mar, dispersão
de sedimentos e outros ligados a intervenção humana
na zona costeira, como as obras de engenharia, represamento de
rios, dragagens, etc.
Como
resultado da interação desses fatores, naturais
ou não, a linha da costa se comporta de três maneiras:
pode permanecer em equilíbrio (o que estávamos acostumados
a ver até alguns anos); recuar em direção
aos continentes (com o que estamos nos acostumando a ver mais
recentemente) e finalmente, avançar em direção
ao mar (o que todos, certamente, gostaríamos de ver).
Quando
a linha recua em direção ao continente presenciamos
a “erosão”. Esse processo só se torna
um problema quando o homem constrói algum tipo de referencial
fixo, estrada, prédio ou outro tipo de construção
permanente, interpondo-se na trajetória de recuo da linha
de maré.
Portanto
é possível dizer que a erosão é sobre
certos aspectos, produzida pelo homem e pelo seu hábito
em ocupar terrenos próximos as linhas de costa oceânicas.
Se
fosse respeitada a área de influência das marés,
esse fenômeno não seria prejudicial e talvez, passasse,
inclusive, despercebido pela maioria da população.
O
problema da erosão pode ocorrer também em praias
de corpos d’água interiores, como em lagoas e lagunas
(Mundaú e Manguaba).
Há
que se esclarecer que a erosão não implica na destruição
da praia arenosa também, chamada de recreativa, pois a
posição da praia apenas muda com o avanço
de mar, não desaparece!
A
perda da praia arenosa ocorre quando o homem interfere nesse processo,
tentando deter o avanço do mar, realizando obras de engenharia
que, tem se mostrado na prática, ineficientes, em controlar
o fenômeno e via de regra é o que implica na destruição
das praias. Esse fenômeno é bastante comum em Recife,
Fortaleza e agora, de uns anos para cá, também em
Maceió.
São
obras caras, usadas em casos mais extremos que favorecem o patrimônio,
público ou privado, mas que frustra os freqüentadores
das praias sejam eles nativos ou turistas, à medida que
perdem suas áreas de recreação.
Não
há como através de dados científicos, ainda,
associar a erosão do litoral ao aumento do nível
do mar, muito embora nem os pesquisadores mais sépticos
descartem essa possibilidade. O que se estuda é que provavelmente,
o problema é mais grave no hemisfério norte, especialmente,
se confirmado, nos próximos anos, o derretimento da Antártida
ocidental.

Praia de Ponta Verde
O
que podemos afirmar, hoje, intuitivamente falando, é que
o clima está mudando muito rapidamente com o aumento da
temperatura média em todo o planeta. E o calor, trás
o desgelo.
Estima-se
que o nível dos oceanos já subiu, no último
século, entre 10 a 15 centímetros e as intervenções
realizadas por particulares ou municípios, na tentativa
de conter o recuo da linha costeira, são realizadas de
forma, muitas vezes, desordenada, com a construção
de muros ou espigões nas áreas criticamente atingidas,
normalmente, implicando em elevados prejuízos financeiros
e estéticos, quase sempre, levando a perda das praias de
recreação, aliás, locais democráticos
e acessíveis a toda a população, independentemente
de situação financeira ou preconceitos de qualquer
espécie.
De
todos os métodos pesquisados e utilizados, atualmente,
o engordamento das praias com a reposição da areia
perdida, tem sido o mais recomendado e, infelizmente, o menos
utilizado. Mesmo assim, não podemos nos esquecer que esse
é um paliativo e não uma solução definitiva.
Ressalto
que, por ser este um fenômeno de percepção
recente, não existe legislação específica
no Brasil que contemple o fenômeno do recuo da linha de
costa. Entretanto, as que existem já poderiam ter ajudado
a minimizar o problema, mas não são obedecidas.
A lei diz que temos que evitar para a ocupação humana,
uma faixa de praia de largura variável entre 33 a 300 metros,
a partir da preamar máxima, criados com objetivos diversos
de protegerem a vegetação de restinga, garantir
o livre acesso da população às praias, e
os chamados terrenos de marinha.

Fato
é que não existem estratégias oficiais para
o enfrentamento do problema: a intervenção seja
e caráter particular ou municipal tem servido apenas para
agravar o problema, os terrenos de marinha não são
respeitados e os órgãos responsáveis pelos
estudos dos impactos não são, em sua maioria, comprometidos
com o meio ambiente.
Maceió
recebe, hoje, milhares de turistas todos os anos que sustentam
uma ampla cadeia econômica representada por hoteleiros,
comerciantes, donos de restaurantes, que empregam um grande número
de trabalhadores formais e sustenta um número muito maior
de informais. Hoje, as praias da capital ou estão desaparecendo
rapidamente, espremidas entre as obras de contenção
e o avanço do mar, ou estão se tornando lixões
a céu aberto devido à ocupação desordenada
de ambulantes, freqüentadores sem consciência e restaurantes
que confundem a areia ou o calçadão da orla, com
objetos de propriedade pessoal e particular.

Hoje,
ir à praia na Pajuçara ou Ponta Verde, apenas para
citar as mais próximas, é uma tarefa complicada,
pois estão tomadas, quase que completamente, especialmente
nos fins-de-semana, por mesas e cadeiras plásticas, cadeiras
de praia e guarda-sóis, que só podem ser utilizadas
mediante o pagamento de aluguel ou através do consumo de
bebidas e tira-gostos, preparados sem os devidos cuidados ou a
devida fiscalização dos órgãos competentes.
Para
a maioria dos agentes de turismo, “turismo ecológico”
é, no máximo, conduzir o turista à praia,
não se importando na grande maioria das vezes, nem pela
orientação para o recolhimento do próprio
lixo gerado.

O
resultado do conjunto é visível a todos, uma areia
suja, escura, oleosa, repleta de restos de comida que atraem cães,
gatos, ratos e baratas, especialmente, à noite, além
de centenas de pombos pela manhã. Faz-se necessário
dizer que tais animais e insetos, urinam e defecam nesses locais,
criando condições ideais para a proliferação
de agentes etiológicos perigosos e a transmissão
de enfermidade a toda a população de freqüentadores.
Se
Maceió não tratar do problema de suas praias, hoje,
a sua única fonte de divisas, proveniente do turismo, dando,
condições, para que o turista desfrute também
de segurança pública, agravará a sua já
precária situação financeira pela que passa
o nosso estado.
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Maurício Aquino é Médico Veterinário
e Ambientalista. Cursa especialização em Docência
de Nível Superior no CESMAC e seu TCC é em Educação
Ambiental. As fotos são do autor.
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